Lula prega gasto militar e superação de 'trauma' da ditadura
Presidente disse que investimentos são necessários para preservar soberania do país e evitar "captura" de presidente, em referência a Maduro
Victor Schneider
Lula batiza primeiro caça Gripen do Brasil, em março | Ricardo Stuckert/PR
Em discurso na convenção nacional do PT neste domingo (2) que o oficializou como candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que terá nos investimentos militares uma de suas prioridades caso seja eleito pela quarta vez para o Palácio do Planalto.
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O discurso foi voltado à militância do partido reunida na Expo Center Norte, em São Paulo, para quem Lula disse que deixar gastos com Defesa em segundo plano é "bobagem" e traz um risco concreto à soberania do país.
"Eu sei que aqui muita gente tem uma trauma por causa dos 23 anos de Ditadura Militar. Mas o tempo passa, a gente evolui, e precisa saber o seguinte: se a gente não estiver seguro, qualquer dia alguém se mete a besta conosco. E eu quero estar preparado investindo em tecnologia, nas coisas mais modernas. Por que um país do tamanho do Brasil não tem uma fábrica de drones? Como a gente vai controlar 16 mil quilômetros de fronteira a pé?", questionou.
Sem citá-lo diretamente, Lula fez referência à captura do venezuelano Nicolás Maduro no início do ano, em operação orquestrada pelos Estados Unidos. Maduro segue preso desde então, aguardando julgamento. Ele deu lugar à vice, Delcy Rodríguez, que formou um governo mais amigável aos norte-americanos.
"Eu quero estar preparado para que ninguém invada esse país para levar o presidente como eles [EUA] invadiram. Quero estar preparado para a paz, não para a guerra", disse o presidente.
Lula fez um paralelo com o resto do mundo, em um momento em que a União Europeia e o Reino Unido reforçaram o orçamento militar com a guerra na Ucrânia e o Japão retomou sua indústria de defesa pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), diante da expansão militar da vizinha China.
Dois dos principais projetos de defesa na história recente do Brasil foram obra dos governos petistas: o caça Gripen, desenvolvido em parceria com a sueca Saab, e o cargueiro KC-390, fabricado pela Embraer. Além desses, está em construção pela Marinha do Brasil um dos quatro submarinos de propulsão nuclear dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), lançado em 2008, e com previsão de lançamento no início da próxima década.
A primeira leva de supersônicos F-39 Gripen foi apresentado em março em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Ao todo, o acordo firmado em 2014 entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e a fabricante sueca prevê a aquisição de 36 caças, sendo 15 montados no Brasil. O custo total é de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 21,25 bilhões).
Nos últimos cinco anos, o orçamento da Defesa manteve uma trajetória de crescimento nominal que acompanhou a expansão das despesas federais, mas sua composição mudou pouco.
A maior parte dos recursos continua destinada ao pagamento de benefícios a militares da ativa, inativos e pensionistas. Foram R$ 133 bilhões em 2025, o que coloca o país como o 15º de maior investimento no mundo, atrás de países como Coreia do Sul, Israel, Polônia e Itália.
Lula prega gasto militar e superação de 'trauma' da ditaduraPresidente disse que investimentos são necessários para preservar soberania do país e evitar "captura" de presidente, em referência a MaduroPolítica2026-08-02T18:00:09.178ZEm discurso na que o oficializou como candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que terá nos investimentos militares uma de suas prioridades caso seja eleito pela quarta vez para o Palácio do Planalto. O discurso foi voltado à militância do partido reunida na Expo Center Norte, em São Paulo, para quem Lula disse que deixar gastos com Defesa em segundo plano é "bobagem" e traz um risco concreto à soberania do país. "Eu sei que aqui muita gente tem uma trauma por causa dos 23 anos de Ditadura Militar. Mas o tempo passa, a gente evolui, e precisa saber o seguinte: se a gente não estiver seguro, qualquer dia alguém se mete a besta conosco. E eu quero estar preparado investindo em tecnologia, nas coisas mais modernas. Por que um país do tamanho do Brasil não tem uma fábrica de drones? Como a gente vai controlar 16 mil quilômetros de fronteira a pé?", questionou. Sem citá-lo diretamente, Lula fez referência à captura do venezuelano Nicolás Maduro no início do ano, em . Maduro segue preso desde então, aguardando julgamento. Ele deu lugar à vice, Delcy Rodríguez, que formou um governo mais amigável aos norte-americanos. "Eu quero estar preparado para que ninguém invada esse país para levar o presidente como eles [EUA] invadiram. Quero estar preparado para a paz, não para a guerra", disse o presidente. Lula fez um paralelo com o resto do mundo, em um momento em que a União Europeia e o Reino Unido reforçaram o orçamento militar com a guerra na Ucrânia e o Japão retomou sua indústria de defesa pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), diante da expansão militar da vizinha China. Dois dos principais projetos de defesa na história recente do Brasil foram obra dos governos petistas: o , desenvolvido em parceria com a sueca Saab, e o cargueiro KC-390, fabricado pela Embraer. Além desses, está em construção pela Marinha do Brasil um dos quatro submarinos de propulsão nuclear dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), lançado em 2008, e com previsão de lançamento no início da próxima década. A primeira leva de supersônicos F-39 Gripen foi apresentado em março em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Ao todo, o acordo firmado em 2014 entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e a fabricante sueca prevê a aquisição de 36 caças, sendo 15 montados no Brasil. O custo total é de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 21,25 bilhões). Nos últimos cinco anos, o orçamento da Defesa manteve uma trajetória de crescimento nominal que acompanhou a expansão das despesas federais, mas sua composição mudou pouco. A maior parte dos recursos continua destinada ao pagamento de benefícios a militares da ativa, inativos e pensionistas. Foram R$ 133 bilhões em 2025, o que coloca o país como o 15º de maior investimento no mundo, atrás de países como Coreia do Sul, Israel, Polônia e Itália.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/lula-prega-gasto-militar-e-superacao-de-trauma-da-ditadura
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