Brasil

CEO da Nubank: humano que domina IA vai ‘roubar’ seu emprego

Em evento na Fiesp, David Vélez diz que a inteligência artificial não vai substituir empregos, mas quem aprender a usá-la terá vantagem competitiva

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Marcela Guimarães
David Vélez, fundador do Nubank no evento 'Vale do Silício Brasil', em SP | Divulgação Fiesp

David Vélez, fundador do Nubank no evento 'Vale do Silício Brasil', em SP | Divulgação Fiesp

A rápida expansão da inteligência artificial (IA) no mundo corporativo exige uma redefinição urgente no perfil profissional e na estratégia de negócios das empresas - e quem souber usar a tecnologia terá vantagem estratégica. A avaliação é do fundador e CEO do Nubank, David Vélez, que participou do Vale do Silício @Brasil, evento promovido pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), nesta quarta-feira (16).

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“A IA não vai tirar seu emprego, mas um humano utilizado uma IA vai tirar seu emprego”, afirmou Vélez, durante palestra para um público composto por empreendedores, investidores, executivos, acadêmicos e representantes do setor público.

O executivo defende que o risco do desemprego diante do avanço tecnológico não está na substituição direta do ser humano pela máquina, mas sim na perda de espaço para concorrentes que estão mais atualizados e que sabem usar a tecnologia.

Para Vélez, apesar do temor de que a inteligência artificial acabe com vagas de trabalho no Brasil - e no mundo - a transformação digital em curso não foca, necessariamente, no enxugamento do quadro corporativo, mas no aumento expressivo da eficiência diária.

“A principal função da IA é ampliar a produtividade. E a produtividade pode ser alocada de duas formas, e cada empresa toma a sua decisão: ter o mesmo com menos pessoas, ou fazer mais com o mesmo número de pessoas.A gente decidiu claramente, dentro do Brasil, que a gente queria fazer da segunda forma”, explicou.
“De alguma forma isso tirou o medo que havia na organização de ‘nossa, agora vou ser demitido, se a IA funcionar vou perder meu emprego’. Deixamos claro que o uso de IA faria parte de qualquer expertise. Dessa forma, o medo vai embora e as pessoas só veem a grande oportunidade em utilizar a tecnologia”, complementou.

O CEO diz que a empresa passa por uma refundação, colocando a IA no centro do seu fluxo de trabalho. A adoção da IA no Nubank saltou de 25% para 98% da organização em todas as funções, superando a resistência inicial. Em vez de utilizar os ganhos produtivos para cortar pessoal, a empresa passou a fazer mais entregas mantendo a mesma estrutura, afirmou Vélez.

Antes do sucesso na implantação da tecnologia, o executivo lembra que houve resistência no início. “As áreas mais técnicas eram as áreas mais céticas. Quando o modelo muda e eles começam a tentar [ inserir IA no fluxo de trabalho], percebem que está dando certo”, lembra Vélez.

Atualmente, o Nubank passa por um processo de “reinvenção da empresa”, investindo para tornar 100% da equipe fluente na tecnologia, com limites ilimitados de tokens para acelerar o aprendizado das equipes.

A empresa mapeou 120 processos e criou novos fluxos de trabalho com a IA “no centro de tudo”, com foco em ampliar a produtividade. “É um refound do Nubank”, afirma Vélez.

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