Política

Lyra pede que PF apure se grupo de Campos paga ataques a ela

Governadora solicita investigação sobre suposta rede de ataques e cita recursos e estruturas da Prefeitura do Recife

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Vicklin Moraes, Raquel Landim
Raquel Lyra e João Campos em atos de campanha | Reprodução/Instagram

Raquel Lyra e João Campos em atos de campanha | Reprodução/Instagram

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e a vice-governadora, Priscila Krause (PSD), apresentaram à Polícia Federal uma notícia-crime que pede a abertura de inquérito para investigar uma suposta rede coordenada de desinformação e perseguição digital contra as duas.

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Segundo a representação, os ataques teriam motivação política e estariam relacionados à disputa eleitoral. A peça também levanta a suspeita de envolvimento de recursos e estruturas ligados à Prefeitura do Recife, comandada pelo ex-prefeito João Campos (PSB), adversário político de Raquel.

Em nota, a Prefeitura do Recife afirmou que não compactua com tais práticas nem faz uso desse tipo de expediente. A gestão informou ainda que não recebeu qualquer notificação sobre o assunto.

O SBT News solicitou um posicionamento de João Campos e aguarda retorno. O espaço segue aberto e o texto será atualizado caso o ex-prefeito encaminhe manifestação.

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A notícia-crime atribui aos investigados, em tese, crimes como perseguição, incluindo a modalidade de stalking qualificado por gênero, violência política de gênero e incitação ao crime.

Entre os episódios citados na representação está a atuação do perfil @raquel_bolada, apontado no documento como administrado por Eduardo da Silva Souza, conhecido como "Eduardo Nino".

Segundo a notícia-crime, o perfil publicou data, horário e local de uma agenda oficial de Raquel Lyra na Praça da Torre, na Vila Santa Luzia, e convocou moradores afetados pelas enchentes a comparecerem ao local. A publicação utilizou a expressão "vamos recepcioná-la como ela merece" e substituiu a palavra que indicaria a ação por um emoji de ovo. O texto também fazia referência a supostos atrasos no pagamento de auxílios emergenciais de R$ 2,5 mil.

Na avaliação apresentada pela defesa da governadora, a publicação configuraria uma convocação pública para agressão física e poderia caracterizar, em tese, o crime de incitação ao crime, previsto no artigo 286 do Código Penal. O caso também foi levado à Justiça Eleitoral, que determinou a retirada da publicação e a suspensão do perfil.

Vínculo terceirizado e cargos municipais

A peça também pede investigação sobre um possível uso de recursos públicos para remunerar pessoas que, segundo a representação, estariam envolvidas na produção e divulgação dos conteúdos.

A notícia-crime cita indícios de que Eduardo da Silva Souza mantinha vínculo de trabalho terceirizado com a Prefeitura do Recife por meio da empresa Pernambuco Conservadora.

Segundo o documento, Souza estaria lotado na Secretaria de Articulação Política e Social e teria recebido salário e diárias para participação em eventos do município. A representação também menciona publicações nas redes sociais nas quais o operador manifestaria alinhamento político e faria referências favoráveis a parlamentares.

A notícia-crime também apresenta dados de um levantamento jornalístico baseado em planilhas oficiais de gastos públicos. Segundo a representação, R$ 979.016,44 em verbas de publicidade da Prefeitura do Recife e do governo de Pernambuco teriam sido destinados a veículos, blogs e perfis que fariam parte do mesmo ambiente digital citado na investigação.

Diante dos indícios apresentados, a defesa de Raquel Lyra e Priscila Krause pediu à PF que intime a Prefeitura do Recife a apresentar contratos administrativos, notas fiscais, relatórios de serviços executados e comprovantes de pagamento relacionados às empresas e aos perfis mencionados.

O objetivo, segundo a representação, é verificar se houve relação entre os repasses de recursos públicos e a produção ou divulgação de conteúdos considerados difamatórios contra as gestoras estaduais.

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