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Alvo da PF, Wagner negou relação com Daniel Vorcaro

Na terça (16), senador lamentou vazamento de revelações feitas por dono do Banco Master e sugeriu que pediria informações ao diretor-geral da Polícia Federal

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SBT News
18/06/2026, 12:28 • Atualizado em 18/06/2026, 14:15
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Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado Federal | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil

Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado Federal | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), fez críticas públicas à proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, dias antes de ser alvo, nesta quinta-feira (18), da operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga suposto esquema de fraudes bilionárias da instituição. O congressista também negou ter quaisquer relações ou negócios com Vorcaro. "Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio", afirmou.

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As afirmações foram feitas em discurso, na terça (16), na tribuna da Casa, quando o parlamentar falou em solidariedade ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao citar informações da colaboração premiada de Vorcaro publicadas, recentemente, em reportagem da Veja. A revista obteve bastidores da segunda tentativa de delação do banqueiro, rejeitada tanto pela PF quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR), por não oferecer novidades à investigação.

"O instituto da leviandade, ou nas instituições ou na imprensa ou nas redes brasileiras, precisa ter um ponto final", disse o senador. "A capa da Veja fala de uma delação inexistente, porque foi negada, acusa Vossa Excelência e fala que revelará os negócios do PT da Bahia, coisa que vem sendo repetida por diversas vezes", completou.

Wagner declarou ter desafiado "vários a me mostrarem qual foi a investigação da Federal que encontrou algo sobre" Alcolumbre, ele próprio e o correligionário Rui Costa, ex-governador baiano e ex-ministro da Casa Civil no atual governo do presidente Lula (PT).

A operação Compliance Zero fez buscas contra Wagner nesta quinta. Outro alvo da operação é Augusto Ferreira Lima, próximo do senador e ex-sócio de Vorcaro. O empresário conheceu o petista quando o parlamentar era secretário de Desenvolvimento Econômico estadual no governo de Costa. Em 2018, Lima comprou parte da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada em 2018 pela gestão estadual.

Wagner participou do processo que levou à desestatização da Ebal. A partir de ativos da antiga estatal, Lima construiu o Credcesta, um cartão de benefícios, incluindo consignado, com desconto em folha e direcionado a servidores públicos estaduais e municipais, aposentados e pensionistas. A atuação do banqueiro no grupo Master expandiu as operações do programa de crédito.

A matéria da Veja, criticada por Wagner, menciona suposto pagamento de US$ 30 milhões de Vorcaro a Alcolumbre, por meio de uma conta no exterior, e laços do banqueiro com figuras importantes do PT da Bahia, como ele próprio e Costa.

Wagner falou que o Congresso Nacional cometeu um "erro" ao aprovar a lei da delação premiada, "ainda no tempo da presidenta Dilma". Segundo o senador, que atuou como ministro da Casa Civil e da Defesa no segundo governo da ex-presidente, a legislação permitiu a colaboração "com as pessoas sob coação, com as pessoas presas".

"Foi com essa delação, sob coação psicológica, ou real, que se arrancou um número infindável de acusações que levaram o atual presidente Lula à cadeia", disse. O senador também trabalhou como ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais e do Trabalho e Emprego no primeiro governo do petista.

"Para alguém que está preso, que tipo de coação tem? Vai voltar para a Papuda? Não vai voltar para a Papuda?", questionou. A referência é ao pedido da PF, após negar a segunda proposta de delação, para que o banqueiro deixe a Superintendência da corporação em Brasília e seja transferido de volta para o Complexo Penitenciário da Papuda.

"Eu estou muito à vontade porque não tenho, como Vossa Excelência, nenhuma relação com... Conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF. Eu não tenho CNPJ", acrescentou Wagner, afirmando que vai processar a Veja.

"Nós estamos entre o absurdo e o superabsurdo. O absurdo é de uma delação que ninguém sabe o que tem dentro dela, a não ser aqueles que inquiriram o sr. Daniel Vorcaro e, que levianamente, ilegalmente, vazam a matéria, como vazaram no tempo da Lava Jato. A gente não sabe se está escrito lá, não sei se ele falou isso, se não falou, de mim ou de Vossa Excelência. No caso de Vossa Excelência, é muito pior, porque eu sou só senador. Vossa Excelência é senador, mas é presidente do Congresso Nacional", continuou o petista.

Wagner ainda dirigiu críticas à imprensa, "que quer bater nos políticos em geral, para chafurdar os políticos todos na lama", e sugeriu a existência de uma "guerra de narrativas". "Eu nunca fui procurado, Vossa Excelência nunca foi procurado, mas a revista Veja foi procurada para fazer o escândalo, colocando Vossa Excelência e botando o PT da Bahia", completou.

O senador também sugeriu que procuraria o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para saber "se essa coisa pode chegar a alguém para me acusar". "Eu quero saber também para poder me defender, porque, se for rejeitada a delação, ela deveria ter sido picotada em uma daquelas máquinas de picote, e não ser oferecida para quem quer que seja para fazer ataque a outras pessoas", explicou.

No fim do discurso, lamentou o clima de "tocar fogo no circo inteiro" criado em torno da delação de Vorcaro, por causa das conexões do banqueiro com autoridades dos Três Poderes. "Eu acho que a gente pode perder a razão se a gente for responder com leviandade. Eu acho que tem que ser investigado. Se tiver um culpado, que foi o criador da mentira, aí eu acho que tem que ser punido severamente."

PT defende Wagner

Em nota assinada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, o partido saiu em defesa de Wagner, afirmando que o senador é "depositário de toda a nossa confiança".

A sigla também afirmou apoiar "todas as apurações envolvendo o Banco Master" e confiar que o parlamentar "esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência". Leia:

"O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência."

Em nota enviada à imprensa, advogados de Augusto Lima afirmaram que "as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias" e que o empresário "está há seis meses à disposição das autoridades" e "sempre atuou nos limites da lei". Leia:

"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.

De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.

Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública."

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