Bancada do PT cobra CPI do Master após PF mirar senador
Em nota, deputados dizem que líder do governo no Senado tem “respeitada trajetória” e vai esclarecer elementos encontrados em investigação


O deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder do PT na Câmara | Foto: Câmara dos Deputados
A bancada do PT na Câmara dos Deputados cobrou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) para investigar o caso Master depois que a Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da operação Compliance Zero, que realizou buscas em residências ligadas a Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
Em nota assinada pelo líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), a bancada defende que Jaques tem “respeitada trajetória política” e vai oferecer as “explicações necessárias” com a salvaguarda da presunção de inocência. Também destaca que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respeita a autonomia da Polícia Federal para proceder com as investigações.
Por outro lado, o partido cobra o aprofundamento de investigações da PF acerca de relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento milionário ao filme “Dark Horse".
“O senador Jaques Wagner deve ter assegurada a presunção de inocência e vai exercer seu amplo direito de defesa para oferecer as explicações necessárias, com base em sua respeitada trajetória política na condição de deputado federal, governador de estado e senador da República", diz o partido.
Apesar das manifestações de apoio, aliados de Lula afirmam, sob reserva, que a permanência de Jaques na liderança do governo no Senado está em xeque. A decisão ficará a cargo do próprio presidente.
Diferentes pedidos para instalar uma comissão investigativa contra o Master estão parados no Congresso. Um deles, que reúne deputados e senadores, colheu assinaturas suficientes para a abertura, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), abriu um precedente ao se recusar à instalação automática.
Investigações contra Jaques
A Polícia Federal aponta que Jaques Wagner recebeu benefícios do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio de Daniel Vorcaro, enquanto mantinha interlocução com ele sobre pautas de interesse da instituição financeira. A investigação cita a compra de ingressos para familiares do parlamentar em um show internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, e o uso gratuito de jatinhos.
Em buscas em endereços ligados ao líder do governo em Brasília e na Bahia, a PF apreendeu US$ 55 mil (cerca de R$ 282 mil) e € 33.500 (cerca de R$ 197 mil).
Outro lado
Em nota, a defesa de Augusto Lima disse que as buscas da 9ª fase da Compliance Zero foram "desnecessárias" pela disposição já apresentada pelo empresário para colaborar com as investigações, mas que as medidas "contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos".
"Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública", dizem os advogados.
Já o senador Jaques Wagner ainda não se manifestou.















