Política

Blusinhas: Lula diz que empresários não terão prejuízo

Presidente afirma achar "meio falso" discurso de que comércio e indústria serão prejudicados com fim da cobrança do imposto de 20% sobre compras de até US$ 50

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Felipe Moraes
Campanha de Lula antecipa anúncios para abafar crise no STF | Ricardo Stuckert/PR

Campanha de Lula antecipa anúncios para abafar crise no STF | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (10) achar "meio falso o discurso de empresários que dizem que vão ter prejuízo" com o fim da chamada "taxa da blusinhas".

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"Se a gente isenta quem compra até US$ 3 mil, por que não isentar quem compra US$ 50? Eu posso dizer pra vocês que eu acho que é meio falso o discurso de empresários que dizem que vai [sic] ter prejuízo. Vamos esperar o tempo passar pra ver quem está com a verdade. É uma reparação [o fim da taxa]. Nós colocamos, depois nós retiramos", admitiu.
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Setores do comércio e da indústria eram contra a eliminação da taxa, argumentando que a isenção prejudica a competitividade frente ao mercado internacional.

O mandatário sancionou no Palácio do Planalto o projeto de lei que eliminou a cobrança do imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50 (R$ 254, na cotação de hoje) feitas em plataformas digitais.

A isenção estava em vigor desde maio por meio de medida provisória editada pelo governo. A MP foi aprovada pelo Congresso Nacional no início de setembro, durante a segunda semana de esforço concentrado da Câmara e do Senado antes das eleições.

O presidente voltou sugerir que o fim da taxa sobre "bugigangas" e "coisinhas tão insignificantes" de até US$ 50 não deve afetar comerciantes nacionais.

"Não vale a pena alguém dizer que causa prejuízo, problema no comércio. Se você entrar numa loja hoje, nas grandes lojas, não vê roupa produzida no Brasil, mas em Bangladesh, no Vietnã. Made in Coreia, made in não sei das quantas. O que incomoda o coitado do pequeno [empreendedor]?", opinou.

Lula aproveitou a cerimônia de sanção para fazer uma cobrança pública a ministros. Presidente e relatora da comissão mista responsável por analisar a MP no Congresso, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e senadora Leila Barros (PDT-DF), estavam presentes e discursaram antes do petista. Também falaram os titulares da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães.

O mandatário refutou o argumento de que o fim da taxa ajuda apenas consumidores de baixa renda.

"Quero fazer um reparo aqui. Todo mundo fala que essa lei é pra ajudar as pessoas mais pobres. Não é verdade. Todo mundo aqui nessa mesa, mulheres e homens, compram essas coisas mais baratinhas. A classe média compra, não é só pobre", falou, chamando de "coça-coça" o hábito de deslizar a tela do celular para "procurar notícia ruim" e adquirir "coisas inusitadas".

"A verdade é essa, todo mundo compra", completou, mencionando Lu Alckmin, esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, e a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior.

"Precisamos tirar esses discursos de que é pros pobrezinhos. Não. É pra quem gosta de comprar essas coisas. É um dinheiro que se não fosse pra essas pessoas, ia pra onde? Está circulando no comércio, gerando mais emprego, mais oportunidade de trabalho, benefício pras pessoas", continuou.

O presidente também lembrou a tramitação da proposta no Congresso, em meados de 2024, e disse que a taxa foi aprovada após pressão de empresários sobre o então presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).

"Eu estava com Alckmin e Haddad [ex-ministro da Fazenda] quando veio telefonema do Lira. Eu não queria que colocasse imposto. 'Empresários estão aqui, é preciso colocar 20%.' A contragosto, falei: 'Então coloca'. E não tinha necessidade de colocar. Estamos fazendo reparo. Dando às pessoas que não viajam de avião [pra fora do país], que não podem comprar vinho, uísque, blusa de couro chique, [oportunidade] pra que possam comprar uma coisinha melhor", declarou.

Lula ainda avaliou que o ano de 2027 provocará debates em torno da reforma tributária, com início da cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), substituindo PIS e Cofins, e do Imposto Seletivo (IS), ambos sob guarda da União, e Imposto de Importação (IPI) zerado para uma série de produtos.

"A [nova] política tributária vai entrar em vigor a partir de janeiro. Ainda vai ter muita discussão. Quando entrar, a gente vai perceber quais são as queixas, o que na teoria é boa [sic] e na prática não funciona", comentou.

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