Política

Alcolumbre articula indulto a Bolsonaro; veja os motivos

Presidente do Senado busca pacificação nacional, apoio à reeleição no comando da Casa e uma saída para reduzir a pressão por impeachment de Moraes

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Túlio Amâncio
O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula nos bastidores uma saída política que permita a concessão de um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo aliados ouvidos pela coluna, a movimentação envolve três objetivos: promover a pacificação nacional, fortalecer sua candidatura à reeleição à presidência do Senado e afastar a ameaça de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Alcolumbre avalia que o país precisa virar a página de um período marcado por crises políticas e institucionais, especialmente pelos confrontos envolvendo Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo.

O senador já compartilhou essa preocupação com outros parlamentares e encontrou concordância entre alguns colegas. Segundo interlocutores, a percepção de que é necessário construir uma saída para a crise também existe em setores do Judiciário.

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Pacificação e reeleição

A articulação tem um componente político importante. Alcolumbre pretende disputar a reeleição ao comando do Senado e vê na construção de um acordo uma oportunidade de ampliar sua interlocução com diferentes grupos políticos.

O cálculo de aliados é que uma solução para a situação de Bolsonaro poderia reduzir resistências entre parlamentares da oposição e fortalecer a posição de Alcolumbre como articulador entre os Poderes.

Ao mesmo tempo, o presidente do Senado busca preservar sua relação com o governo Lula e com integrantes do Supremo, mantendo o papel de interlocutor institucional.

Moraes no centro das negociações

Outro ponto sensível é a situação do ministro Alexandre de Moraes. Aliados de Alcolumbre avaliam que uma eventual pacificação envolvendo Bolsonaro poderia diminuir a pressão de setores da oposição pela abertura de um processo de impeachment contra o magistrado.

Como presidente do Senado, Alcolumbre ocupa uma posição central na tramitação de pedidos de impeachment de ministros do STF.

A avaliação nos bastidores é que um entendimento político mais amplo poderia retirar força da ofensiva contra Moraes, evitando a abertura de uma nova crise entre Congresso e Judiciário.

Os obstáculos

Apesar das conversas, ainda não há um acordo fechado nem uma proposta formal apresentada.

O principal obstáculo é jurídico e político. O indulto é uma prerrogativa do presidente da República, sujeita a limites constitucionais, e não pode ser concedido diretamente pelo Senado.

Por isso, a articulação dependeria de uma negociação com o Executivo ou da construção de uma alternativa legislativa, como uma anistia, que possui natureza e requisitos jurídicos diferentes.

Para aliados, Alcolumbre pretende se colocar no centro dessa negociação, apostando que uma saída para a situação de Bolsonaro possa reduzir as tensões institucionais e, simultaneamente, fortalecer sua posição política no Senado.

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