Mortes por metanol: polícia apreende bebidas alcoólicas em bar de bairro nobre de SP
Estado registra três mortes por suspeita de consumo de bebidas alcoólicas "batizadas" com a substância

Vinícius Rangel
O estado de São Paulo já registra três mortes por suspeita de consumo de bebidas alcoólicas "batizadas" com metanol. Na tarde desta segunda-feira (29), um bar nos Jardins, bairro nobre da capital paulista, foi alvo de fiscalização da vigilância sanitária.
Policiais civis e integrantes do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo ouviram funcionários, fiscalizaram as dependências do bar e apreenderam garrafas de bebidas alcoólicas.
No bar, uma mulher de 43 anos consumiu três caipirinhas, em uma comemoração de aniversário, passou pela UTI, chegou a ter convulsões e precisou ser entubada. Ela permanece internada, sem enxergar, por suspeita de intoxicação com metanol.
São, no total, cinco pessoas internadas pela mesma razão, segundo a prefeitura da capital paulista. Uma delas é Weslley, irmão de Sheily -- que consumiu whisky em uma festa.
"Ele ficou em coma, depois os médicos tentaram voltar ele do coma, e ele sofreu um AVC, e nesse AVC foi diagnosticado que ele perdeu a visão, ele não iria falar, ia perder os movimentos, mas agora ele já esta falando, já fechou a traqueostomia, só que a perda da visão ainda está irreparável", conta Sheily Neves.
A prefeitura de São Paulo também confirmou uma morte por suspeita de intoxicação com metanol. A vítima é um homem de 54 anos.
Já em São Bernardo do Campo, na região metropolitana, são mais duas mortes, homens de 58 e 45 anos.
A Anvisa informou que o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária é descentralizado, prevendo níveis de ação da União, dos estados e municípios, e que, neste momento, os casos estão sendo acompanhados pelas autoridades locais de saúde. Lembrou também que as bebidas alcoólicas são sujeitas a registro no Ministério da Agricultura.
"Essas pessoas compram tonéis de álcool etilico, compram tonéis de cerveja, tonéis de whisky, de destilados de baixíssima qualidade, e envazam esses produtos em garrafas de marcas líderes de mercado", afirma Rodolpho Ramazzini, diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
Para a instituição, o metanol usado para adulterar bebidas alcoólicas pode ser o mesmo importado pela organização criminosa PCC para batizar combustíveis.
"O crime organizado, ao verificar esse mercado sem o devido controle e fiscalização, entrou no setor de bebidas, como já havia entrado também no setor de combustíveis e no setor de cigarros, pra maximizar os lucros das atividades criminosas dele", diz Ramazzini.
Abel Scupeliti professor de química da Escola Técnica de São Paulo (Etec-SP), explicou que o metanol -- pela aparência e pelo cheiro -- é impossível de ser identificado, mesmo misturado em bebidas. Issoo é o que torna o consumo ainda mais perigoso no organismo do ser humano -- podendo levar à morte.
"O metanol, ele é um álcool, assim como o etanol, mas ele é muito maléfico ao organismo. Ao contrário do etanol, que pode ser ingerido em doses maiores do que o metanol e não causar efeitos significativos, o metanol em baixas doses pode provocar sérios danos à saúde, desde sintomas mais leves como tontura e náusea, podendo chegar a cegueira e levar a pessoa a óbito", explica o especialista.
A Polícia Civil investiga o caso. O bar alvo da investigação não respondeu ao contato do SBT.
Mais bebidas apreendidas
A Polícia Civil apreendeu cerca de 100 garrafas de bebidas alcoólicas com suspeita de adulteração, durante fiscalizações em bares da capital paulista.
As garrafas foram localizadas em bares e mercados nos bairros do Jardim Paulista e da Mooca
Todo o material foi apreendido pela Polícia Civil, com apoio da vigilância sanitária, e agora vai passar por perícia. O objetivo é identificar se existe a presença de metanol.









