Morte de gari: Polícia indicia empresário e esposa
Renê Nogueira Júnior confessou ter matado Laudemir Fernandes com arma da esposa, delegada da Polícia Civil, em MG

SBT News
com informações do Estado de Minas
A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou nesta sexta-feira (29) o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior e a esposa, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes.
Renê da Silva Nogueira Júnior foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, ameaça e porte ilegal de arma de fogo. A pena pode chegar até 35 anos. Ana Paula foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido por ceder ou emprestar o dispositivo ao marido.
+ Ex-motorista acusado de manter socialite em cárcere privado é preso no Rio de Janeiro
O empresário confessou ter cometido o crime usando a arma particular da esposa, delegada da Polícia Civil, sem o conhecimento dela, mas alegou que a morte teria sido um suposto "acidente".
Após o crime, Ana Paula foi afastada de suas funções por 60 dias para tratamento de saúde. A licença, iniciada em 13 de agosto, foi oficializada no Diário Oficial do estado no último sábado (23).
+ Cinco são presos em racha no Rio de Janeiro; PM é atropelado durante abordagem
Negou crime no primeiro depoimento
No primeiro depoimento, o empresário negou o crime e alegou o uso de medicamentos controlados. Renê relatou sua rotina no dia do crime: disse que saiu do trabalho e foi para casa. Em seguida, passeou com os cachorros e depois foi direto para a academia. Em nenhum momento citou ter passado pela rua onde o crime ocorreu.
Imagens de câmeras de segurança flagraram Renê atirando contra Laudemir e guardando a arma usada no crime.
Relembre caso
O gari, de 44 anos, foi morto a tiros após uma discussão de trânsito em 11 de agosto, no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, na Grande BH. O suspeito é o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos.
Segundo o boletim de ocorrência, Laudemir e outros garis recolhiam lixo quando a motorista do caminhão encostou o veículo para dar passagem ao carro do empresário. Renê teria abaixado o vidro e ameaçado matar caso alguém encostasse em seu carro. Os trabalhadores pediram calma e sugeriram que ele seguisse viagem. O suspeito, porém, desceu do carro alterado e disparou contra o grupo.
O gari Tiago Rodrigues, que presenciou o crime, afirmou que Renê agiu com frieza. "Assim que atirou, ele entrou no carro como se nada tivesse acontecido e foi embora", disse. Tiago tentou socorrer o colega, mas Laudemir não resistiu.
Renê foi localizado após informações de uma testemunha, que lembrou parte da placa do carro dele, e pela análise de câmeras de segurança. A polícia apresentou uma foto do empresário, que foi reconhecido e apontado como o responsável pelo ataque. Apesar disso, ele negou ter cometido o crime quando foi preso, no estacionamento de uma academia.
Em 15 de agosto, a Polícia Civil informou que a arma usada para matar Laudemir pertencia à esposa dele.
A compatibilidade foi confirmada pela perícia de microbalística, que analisou duas munições – uma usada e outra intacta – deixadas no local do crime. Desde então, Ana Paula é investigada pela Corregedoria da Polícia Civil de MG, que apura possíveis desvios de conduta da servidora.