Vorcaro e Zettel estão presos na Superintendência da PF em São Paulo
Banqueiro e cunhado foram detidos nesta quarta (4) por suspeita de obstrução e ações violentas contra adversários


Emanuelle Menezes
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o cunhado dele, o empresário Fabiano Zettel, presos nesta quarta-feira (4) por suspeita de obstrução e ações violentas contra adversários, estão na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na Lapa, zona oeste da capital paulista.
De acordo com a PF, a prisão preventiva de Vorcaro foi solicitada após a análise de mensagens encontradas no celular dele. O conteúdo indicaria que o banqueiro teria planejado atos de violência contra pessoas que considerava adversárias. Uma delas é o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O dono do Master determinou "dar um pau" e "quebrar os dentes" do profissional.

O cunhado de Vorcaro se apresentou à Polícia Federal. "Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades", disse a defesa dele. Zettel chegou à superintendência em um veículo de luxo, escoltado por quatro viaturas.
A Polícia Federal prendeu Vorcaro e Zettel durante a terceira fase da operação Compliance Zero. A ação investiga a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, que, segundo os investigadores, teriam sido cometidos por uma organização criminosa.
A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Esta é a primeira decisão do magistrado como relator do caso, função que ele assumiu no mês passado.
Além dos dois, foram alvos de mandados de prisão nesta quarta:
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão;
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado.
Segundo a investigação, os quatro teriam papéis centrais na estrutura do suposto esquema criminoso. Vorcaro é apontado como líder da organização; Zettel atuaria na operacionalização financeira; Mourão coordenaria atividades de espionagem e coleta de informações; e Marilson integraria o grupo informal conhecido como "A Turma", usado para monitorar pessoas e intimidar adversários.
Ao autorizar as prisões, Mendonça apontou a existência de indícios de participação dos investigados em crimes graves e risco concreto decorrente da permanência deles em liberdade. A decisão menciona possibilidade de destruição de provas, influência sobre testemunhas e continuidade das atividades ilícitas, além do potencial impacto econômico do esquema.








