Ex-motorista acusado de manter socialite em cárcere privado é preso no Rio de Janeiro
José Marcos Ribeiro, foragido desde novembro de 2024, é investigado por tentativa de feminicídio, sequestro e furto qualificado contra Regina Lemos Gonçalves

Caroline Vale
com SBT Rio
A polícia do Rio de Janeiro prendeu nesta sexta-feira (29) o ex-motorista José Marcos Chaves Ribeiro, de 53 anos, acusado dos crimes de tentativa de feminicídio, sequestro, cárcere privado, violência psicológica e furto qualificado contra a socialite Regina Lemos Gonçalves, de 89.
José Marcos foi motorista da vítima e a família o acusa de tê-la mantido, durante 10 anos, isolada no próprio apartamento, em Copacabana, sem contato com ninguém.
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Ele estava foragido desde novembro de 2024. Os agentes do 23º BPM (Leblon) encontraram o homem em uma propriedade que seria de Regina, em São Conrado.
A socialite é viúva e herdeira do empresário Nestor Gonçalves, fundador da Copag, famosa marca de cartas de baralho.
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Relembre caso
O caso veio a público em abril de 2024, quando uma vizinha da socialite noticiou o sumiço dela. O apartamento de Regina fica no Edifício Chopin, ao lado do Copacabana Palace, em um dos endereços mais caros do Rio.
A família de Regina denunciou que ela estaria sendo roubada por Marcos, que teria sido contratado em 2010 para ser motorista dela. Os dois teriam assinado um documento de união estável em 2021, quando apresentaram laudos psicológicos comprovando a sanidade mental de ambos.
O relacionamento, no entanto, era questionado pela família e amigos, que alegaram que a empresária foi vítima de um golpe e que Marcos a mantinha em cárcere privado. Testemunhas afirmaram que joias, móveis e tapetes sumiram da residência. Há relatos de que as contas bancárias da socialite também tenham sido zeradas.
Marcos era responsável por Regina desde o fim de 2023, quando apresentou, na Justiça, um laudo assinado por um psiquiatra que atestou que a idosa tinha demência. Com a comprovação de união estável, ele conseguiu a interdição da socialite e passou a controlar o patrimônio.

Investigações
A decisão judicial que transformou José Marcos em réu foi baseada em uma investigação da 12ª Delegacia de Polícia, de Copacabana, iniciada em novembro de 2023.
O pedido de prisão, feito pela 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Violência Doméstica, foi baseado em depoimentos, inclusão de laudos e boletins de atendimento e detalhes do período em que Regina viveu com José Marcos em um apartamento do Edifício Chopin, ao lado do Copacabana Palace.
Segundo a Polícia Civil, a denúncia pela tentativa de feminicídio está baseada em uma internação no dia 30 de dezembro de 2021, quando Regina foi parar no hospital com uma lesão na cabeça. Ela precisou ser operada e só teve alta em janeiro de 2022, mas ninguém da família foi comunicado do fato.
Recentemente, a Vara do Idoso deu a curatela da gestão do patrimônio da socialite a um sobrinho dela, Carlos Queiroz.