Cidades

"Alta letalidade era previsível", diz secretário de Segurança do Rio

Cúpula da Segurança Pública concede entrevista para a imprensa no início da tarde desta quarta-feira (29) sobre os resultados de ação no Alemão e na Penha

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Emanuelle Menezes
29/10/2025, 15:46 • Atualizado em 29/10/2025, 17:23
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Moradores retiraram mais de 60 corpos de mata após operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro | REUTERS/Ricardo Moraes

Moradores retiraram mais de 60 corpos de mata após operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro | REUTERS/Ricardo Moraes

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou que a alta letalidade da megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha na terça-feira (28), que deixou pelo menos 132 mortos, era previsível.

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"A alta letalidade era previsível, mas não era desejada", disse em entrevista nesta quarta-feira (29).

Ainda segundo o secretário, o "dano colateral" da ação foi "muito pequeno". De acordo com Santos, as "vítimas" são somente os policiais que morreram e outros quatro moradores que foram baleados, sem gravidade.

"As vítimas são os quatro inocentes que foram baleados e os quatro policiais que morreram", disse ele.

A cúpula da Segurança Pública do Rio de Janeiro concede entrevista para a imprensa no início da tarde desta quarta-feira (29) sobre os resultados da ação. Mais cedo, o governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) afirmou que a megaoperação foi um "sucesso" e que as únicas "vítimas" foram os quatro policiais mortos.

"Queria me solidarizar com a família dos quatro guerreiros que deram a vida para salvar a população. De vítima ontem, só tivemos esses policiais", declarou.

Mais de 130 mortos

Moradores encontraram mais de 60 corpos na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, ao longo da madrugada desta quarta-feira (29) – dia seguinte a operação mais letal da história do estado do Rio de Janeiro. Os corpos foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã.

O secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, afirmou que, até 13h desta quarta, 119 mortos deram entrada no Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, na região central. Na terça-feira (28), o governo do Rio de Janeiro tinha divulgado que 64 pessoas haviam sido mortas.

Com os corpos encontrados na Vacaria, o total de mortos chegou a 132, segundo apuração do SBT Rio e informações da Defensoria Pública do estado.

Corpos enfileirados após operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro | REUTERS/Ricardo Moraes
Corpos enfileirados após operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro | REUTERS/Ricardo Moraes

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que acompanha a situação. Em nota, disse que atua para "assegurar o cumprimento das diretrizes fixadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, que disciplina operações policiais em comunidades do Estado" e que "técnicos periciais foram enviados ao Instituto Médico-Legal (IML) para a realização de perícia independente, em conformidade com suas atribuições legais".

Operação Contenção

A megaoperação das forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro foi deflagrada na terça-feira (28) nos Complexos da Penha e do Alemão. A ação, parte da chamada Operação Contenção, foi justificada pela necessidade de desarticular lideranças do Comando Vermelho na região. Cerca de 2.500 policiais civis e militares cumpriram mandados de prisão e busca na região. 113 suspeitos foram presos e 118 armas apreendidas.

As equipes encontraram resistência armada intensa: houve relatos de troca de tiros, uso de barricadas incendiadas em vias expressas e ataques com drones por parte de criminosos, com o objetivo de atrasar o avanço policial. Pelo menos quatro moradores ficaram feridos.

A ação é considerada a operação mais letal da história do estado do Rio de Janeiro, ultrapassando a realizada no Jacarezinho, em maio de 2021, que teve 28 mortos, e a operação na Vila Cruzeiro, em maio de 2022, com 24 óbitos. As três aconteceram durante o governo de Cláudio Castro (PL).

O levantamento foi feito pelo Geni (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos) da Universidade Federal Fluminense (UFF). Veja o ranking das cinco operações mais letais da história do estado do Rio de Janeiro:

1. Complexo do Alemão e Penha, outubro de 2025: mais de 130 mortos

2. Favela do Jacarezinho, maio de 2021: 28 mortos

3. Vila Cruzeiro, maio de 2022: 23 mortos

4. Vila Operária, Duque de Caxias, janeiro de 1998: 23 mortos

5. Complexo do Alemão, junho de 2007: 19 mortos

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