Política

Janja cobra apoio de homens na luta contra o feminicídio: "Todos por todas"

Primeira-dama discursou no ato da assinatura do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e se emocionou ao falar sobre a violência contra mulheres

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A primeira-dama Janja Lula da Silva | Reprodução

A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (4) que a luta contra a violência feminina não deve ser exclusiva das mulheres. A declaração foi feita durante a assinatura do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, no Palácio do Planalto. A iniciativa é encabeçada pela primeira-dama e teve o apoio dos chefes dos Três Poderes.

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"Queremos vocês, homens, nessa luta ao nosso lado. Todos por todas. Essa é a sociedade que eu acredito, esse é o Brasil que eu quero para todas as mulheres e meninas. Esse pacto é pela vida das mulheres e também por aquelas tantas que tiveram suas vidas interrompidas pelo feminicídio", afirmou a primeira-dama.

Em seu discurso, Janja se emocionou ao ler um relato de uma jovem que disse ter sido espancada por um namorado mais velho quando tinha cerca de 18 anos, em União da Vitória (PR), ao sugerir o término da relação. Ela descreve o espanto com a reação do namorado e o temor pela integridade física ao fazer um paralelo com a violência sofrida por outras mulheres em todo o país.

"Eu senti o primeiro soco atingir o meu rosto ali mesmo no meio daquela praça. As agressões seguiram durante todo o trajeto até a casa onde ele morava. Foram quadras intermináveis de violência contra o meu corpo. E, por mais que muitas pessoas acompanhassem aquela cena pelo caminho, ninguém fez nada para parar aquele homem. Em casa, a sessão de socos continuou, e eu temi pela minha vida, me encolhi cada vez mais, como se em algum momento fosse conseguir me encolher tanto a ponto de desaparecer. Como se desaparecer você a única forma daquele pesadelo acabar", relatou a primeira-dama.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública contabilizaram 1.470 mulheres vítimas de feminicídio em todo o país em 2025, o equivalente a quatro mulheres mortas de forma violenta por dia.

O número bateu o recorde dos 1.464 registros de 2024 e ainda aguardava os dados referentes ao estado de São Paulo em dezembro. O Ministério da Justiça justifica a alta pelo enquadramento correto de crimes que antes não eram registrados como feminicídio — a lei que tipifica o crime foi aprovada em 2015 e atualizada em 2024.

Casos de violência

Janja citou casos recentes de feminicídio no país, como a morte de Taynara Souza Santos, atropelada e arrastada por um ex-companheiro em São Paulo por ciúmes; os assassinatos de Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro, no Rio de Janeiro, por um colega de trabalho que não aceitava ser chefiado por mulheres; e a execução da vereadora Marielle Franco, em 2018, a mando dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão por conflitos em disputa de território com a milícia.

"Hoje, quando recordo aqueles momentos de terror, sinto que eu sou uma sobrevivente. Sim, eu sobrevivi. Mas milhares de mulheres não. Milhares de brasileiras não estão mais aqui entre nós. Milhares de mulheres foram mortas pelas mãos de homens que descartaram suas vidas e seus corpos", lamentou Janja.

Parceria entre os Poderes

A primeira-dama saudou a parceria entre os Três Poderes no pacto. Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o evento também contou com os chefes da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do STF, ministro Edson Fachin.

"Por isso, pedimos que vocês, homens, estejam ao nosso lado nesse momento. E aqui quero expressar todo o orgulho que eu tenho do meu marido, que percebeu a minha angústia, porque a minha angústia é a de milhões de brasileiras. E quando o meu marido, o presidente Lula, me dá a mão e diz que vai fazer dessa luta uma luta também dele, uma luta dos homens desse país, ele dá a mão para todas as mulheres deste país. Obrigada por isso, meu amor. Eu espero que o dia de hoje seja um marco para a sociedade brasileira, aqui representada pelos Três Poderes."

Em sua fala, Alcolumbre exaltou o papel da primeira-dama em mobilizar a pauta: "Cumprimentar a iniciativa de Janja de enfrentar um tema tão complexo. Com sua iniciativa, daremos ao Brasil um sinal claro de que as instituições democráticas estão unidas em torno da defesa da vida e contra a violência contra as brasileiras deste país. Parabéns".

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