CPMI do INSS focará na votação de quebras de sigilo de ex-ministro e parentes nesta quinta (5)
Sessão marca a retomada dos trabalhos; senador Carlos Viana diz que comissão evitará embates políticos para avançar no relatório final



Márcia Lorenzatto
Soane Guerreiro
Jessica Cardoso
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou ao SBT News, nesta quarta-feira (4), que a reunião desta quinta-feira (5), que marca a retomada dos trabalhos do colegiado em 2026, focará na votação de requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal.
Segundo Viana, a decisão de priorizar esse tipo de deliberação ocorre em meio ao início do ano eleitoral e a disputas políticas dentro da comissão.
“A expectativa é de muito embate. O ano eleitoral já começou. Pelos requerimentos, a gente vê que as narrativas, tanto de governo quanto de oposição, querem voltar a chamar a atenção sobre nomes de cada lado, mas a gente vai manter o foco na investigação. Teremos votações, deliberações de quebras de sigilo apenas, não convocações de pessoas”, disse o senador.
Entre os requerimentos que devem ser analisados estão pedidos envolvendo ex-integrantes do primeiro escalão de governos passados e seus familiares.
A pauta inclui solicitações de quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni, que integrou o governo Jair Bolsonaro (PL), além de requerimento para acesso a relatórios de inteligência financeira de Pietro Cardia Lorenzoni, advogado e filho do ex-ministro.
Também consta pedido de quebra de sigilo de Enrique de Abreu Lewandowski, filho de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que também atuou como ministro da Justiça e Segurança Pública durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Viana afirmou ainda que os pedidos envolvem dezenas de empresas e pessoas físicas com movimentações financeiras consideradas atípicas.
Após a fase deliberativa, a comissão deve realizar a oitiva do presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, já confirmada para quinta.
Viana também explicou que a estratégia é concentrar esforços no que será determinante para o relatório final da comissão. “Não entrarmos na questão política para nós não perdermos tempo”, afirmou.
De acordo com ele, a CPMI ainda tem 11 reuniões previstas, mais de 100 pessoas a serem ouvidas e cerca de 5 mil requerimentos protocolados. O colegiado tem previsão de encerrar seus trabalhos em 28 de março.
Ao falar sobre as expectativas para a nova fase da CPMI, Viana afirmou que o objetivo é voltar a dar respostas concretas à população.
Segundo o senador, a comissão já conseguiu interromper descontos indevidos em benefícios previdenciários e agora pretende avançar sobre a atuação do sistema financeiro.
“Agora, eu espero que a gente consiga fazer essa regulação com os bancos. Os bancos movimentaram R$ 210 bilhões em consignados, emprestando, na maioria, dinheiro a 22% ao mês. Aposentado nenhum do Brasil consegue pagar e se livrar dessa dívida. Se a gente conseguir acabar com esse jogo injusto dos bancos junto da previdência e com o apoio de governos, já teremos cumprido bem a nossa missão”, declarou.









