Política

Caso Lulinha não pode ficar no meio do caminho, diz relator da CPMI do INSS

Em entrevista ao SBT News, Alfredo Gaspar criticou interferência do STF e disse haver blindagem da base aliada do governo em relação a Fábio Luís Lula da Silva

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O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), afirmou em entrevista exclusiva ao SBT News, nesta quarta-feira (4), que as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não podem permanecer “no meio do caminho” diante do que classificou como blindagem promovida pela base aliada do governo.

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Segundo ele, há indícios de uma relação entre Lulinha e Antônio Antunes, o ‘Careca do INSS’, intermediada pela empresária Roberta Luchsinger.

Desde o início da CPMI já havia notícias dessa relação. As investigações avançaram, com testemunhas falando em recebimento de milhões de reais, documentos mostrando entrada de recursos e troca de mensagens citando o filho do presidente”, afirmou.

Segundo o relator, há registros de viagens conjuntas e passagens pagas por Antunes, além de indícios de movimentações financeiras. “Precisamos aprofundar para comprovar definitivamente a culpabilidade ou para inocentá-lo. Não dá para ficar no meio do caminho com blindagem política”, disse.

Depoimento de Vorcaro

O relator também afirmou que os holofotes da investigação estão voltados para o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e não descartou a possibilidade de prisão, a depender do grau de colaboração com a comissão

“Tudo vai depender da colaboração”, disse Gaspar, ao comentar o depoimento de Vorcaro, marcado para 26 de fevereiro, após o Carnaval.

Daniel Vorcaro havia solicitado o adiamento de seu comparecimento à CPMI mediante o compromisso de não ingressar com habeas corpus para barrar o depoimento. A condição foi aceita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Pelo acordo firmado, Vorcaro se comprometeu a comparecer de forma voluntária, prestar esclarecimentos e apresentar a documentação solicitada pela comissão. Em contrapartida, Toffoli autorizou o deslocamento do investigado de Belo Horizonte a Brasília, medida necessária porque Vorcaro cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Gaspar afirmou que a CPMI não pedirá a retirada da tornozeleira. “Se ele estiver de tornozeleira, vai vir de tornozeleira mesmo. A CPMI não vai pedir ao STF que retire tornozeleira de ninguém”, disse.

O relator também criticou duramente a decisão de Toffoli que retirou o acesso da CPMI aos documentos resultantes da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Vorcaro. Para Gaspar, houve interferência indevida do STF nos trabalhos da comissão.

“A República está muito doida. Estamos numa instância regular de investigação, protegida constitucionalmente, e houve, a meu ver, uma interferência indevida do ministro Toffoli”, afirmou. “Não há lógica nessa decisão. A CPMI tem prazo para acabar e foi retirada de nós a possibilidade de acessar documentos essenciais.”

Segundo o deputado, o episódio cria um tratamento desigual entre investigados. “Não podemos ter investigado de primeira classe e investigado de segunda classe. E, até agora, Vorcaro me parece estar num nível de supremacia em relação aos outros”, disse.

Questionado sobre o conteúdo do depoimento, Gaspar afirmou que a CPMI espera esclarecimentos amplos, inclusive sobre conexões políticas e financeiras. “Se ele quiser dar algum recado, a CPMI é um bom palco”, afirmou.

O relator destacou que a investigação sobre crédito consignado não se restringe ao Banco Master. Segundo ele, outras nove instituições financeiras estão sob análise, mas quatro convocações — Santander, PicPay, C6 Bank e Crefisa — foram barradas pela base governista.

“Não acho justo blindar instituições. O Vorcaro é mais um do sistema financeiro a ser ouvido, mas os holofotes estão nele por causa da liquidação do Banco Master”, disse.

Convocação de Flávio Bolsonaro

Sobre o nome do senador Flávio Bolsonaro, citado em pedido do deputado Rogério Correia (PT-MG), Gaspar afirmou não ter visto qualquer indício até o momento. “Confesso que ainda não li o conteúdo, mas, até agora, em nenhum documento ou testemunho aparece o nome de Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Segundo o relator, a CPMI precisa manter equilíbrio. “Não pode virar cortina de fumaça. O que tem fundamento vai adiante; o que não tem, não será levado à votação”, concluiu.

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