Política

Governo brasileiro diz acompanhar "com atenção" processo de apuração na Venezuela

Segundo Itamaraty, publicação pelo Conselho Nacional Eleitoral de dados desagregados por mesa de votação é indispensável para credibilidade do resultado

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Guilherme Resck
29/07/2024, 14:24 • Atualizado em 29/07/2024, 15:23
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é aliado histórico de Nicolás Maduro | Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é aliado histórico de Nicolás Maduro | Agência Brasil

O Itamaraty disse, na manhã desta segunda-feira (29), que o governo brasileiro felicita o "caráter pacífico" da eleição de domingo (28) na Venezuela e acompanha "com atenção" o processo de apuração dos votos no pleito.

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"Reafirma ainda o princípio fundamental da soberania popular, a ser observado por meio da verificação imparcial dos resultados".

A nota conclui dizendo que o Executivo federal brasileiro aguarda a publicação, pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, de dados desagregados por mesa de votação, passo que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera "indispensável para a transparência, credibilidade e legitimidade do resultado do pleito".

Na madrugada desta segunda-feira, o Conselho Nacional Eleitoral anunciou que Nicolás Maduro foi reeleito presidente da Venezuela. Entretanto, o anúncio foi feito quando 80% das urnas tinham sido apuradas; Maduro aparecia com 51,2% dos votos, contra 44,2% do candidato da oposição, Edmundo González.

Ainda nesta manhã, o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim, assessor especial de Lula para assuntos internacionais, disse que o governo do Brasil continua acompanhando o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela "para poder chegar a uma avaliação baseada em fatos" sobre o pleito.

"Como em toda eleição, tem que haver transparência, o CNE ficou de fornecer as atas que embasam o resultado anunciado. Também não vou endossar nenhuma narrativa de que houve fraude", acrescenta.

Ainda de acordo com o assessor, que acompanhou a eleição em Caracas, "é uma situação complexa" e o governo brasileiro quer "apoiar a normalização do processo politico venezuelano". Lula é aliado histórico de Maduro. No programa Brasil Agora, do SBT News, a comentarista Iasmin Costa disse que há "uma grande tensão dentro do Palácio do Planalto para evitar que qualquer fala pública vinda do Palácio do Planalto [sobre o pleito na Venezuela] soe num tom de apoio ao que Nicolás Maduro tem feito".

Ela ressaltou que o Brasil precisa de posicionar sobre o resultado da eleição, tendo em vista a posição de liderança que exerce na América do Sul.

"Há muito tempo o presidente da Venezuela tem adotado uma postura mais ditatorial e que o governo brasileiro demorou para se manifestar de forma contrária. Depois baixou o tom, se manifestou de forma contrária à postura de Nicolás Maduro", pontuou Iasmin.

Para ela, "fica muito esquisito, minimamente, quando o governo aceita esse resultado que estão dando sem nenhum tipo de questionamento. Realmente o governo brasileiro tem que pensar aí como vai se posicionar, e é isso que os interlocutores internos estão fazendo".

Diferentes países se posicionaram

Após o anúncio pelo CNE de que Maduro foi reeleito, o presidente do Chile, Gabriel Boric, afirmou que o resultado é "difícil de acreditar" e que o país não irá reconhecer a vitória de Maduro até que a contagem de votos seja verificada.

O mesmo foi dito por Javier González-Olaechea, ministro das Relações Exteriores do Peru.

Em comunicado, o presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves, rejeitou a vitória do atual presidente venezuelano. "Trabalharemos com os países democráticos de todo o continente e organizações internacionais para alcançar o respeito que o povo venezuelano merece", disse.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, demonstrou preocupação com o resultado, dizendo que a vitória de Maduro pode não refletir a vontade ou os votos do povo venezuelano. Já Luis Lacalle Pou, presidente do Uruguai, acusou o governo de manipular o resultado da eleição.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, por sua vez, comemorou a vitória de Maduro.

A oposição na Venezuela afirmou que testemunhas da eleição foram impedidas de acompanhar a contagem dos votos e que alguns centros de votação não estavam enviando os resultados.

"Os venezuelanos e o mundo inteiro sabem o que aconteceu aqui", disse Maria Corina, líder da oposição venezuelana. Ela declarou vitória a González, citando as pesquisas de boca de urna que apontavam uma vitória do político por 70%, contra 30% de Maduro.

O presidente do CNE, Elvis Amoroso, rebateu a acusação, dizendo que o sistema havia sofrido um ataque, o que provocou o atraso no envio dos resultados.

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