'Vivemos em um mundo louco', diz Trump após ataque em jantar
Presidente norte-americano disse que não ficou preocupado durante o ocorrido e rebateu acusações do atirador


Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não ficou preocupado durante a tentativa de ataque no jantar com correspondentes da Casa Branca, no último sábado (25). Em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, o republicano afirmou que “entende a vida” e que “vivemos em um mundo louco”.
Ao relatar o ocorrido, Trump afirmou que sua curiosidade provavelmente atrasou os esforços do Serviço de Segurança para levá-lo até um lugar seguro, mesmo sendo retirado às pressas do evento. “Eu queria ver o que estava acontecendo e não estava facilitando para eles. Naquele momento, percebemos que, talvez, fosse algo ruim, diferentemente do que seria o barulho normal de um salão”, disse.
O presidente subiu o tom ao ser questionado sobre as acusações que o atirador, identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, usou para justificar a tentativa de ataque. Um manifesto atribuído ao suspeito vem sendo divulgado pela mídia e páginas na internet, no qual está escrito: “Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor manche minhas mãos com seus crimes”.
“Sim, ele escreveu isso. Eu não sou um estuprador. Eu não estuprei ninguém. Eu não sou um pedófilo. Você leu essa besteira escrita por algum doente? Eu fui associado a um monte de coisas que não tem nada a ver comigo”, disse Trump, à jornalista Norah O'Donnell. “Eu li o manifesto. Sabe, ele é um doente. Mas você deveria ter vergonha de si mesma por ler isso, porque eu não sou nada disso”, acrescentou.
O caso
A tentativa de ataque aconteceu na noite do último sábado (25), no Hotel Washington Hilton, onde Trump se reunia com jornalistas para o jantar anual de correspondentes da Casa Branca. O evento foi interrompido às pressas, após tiros serem ouvidos no local.
Imagens divulgadas pelo presidente norte-americano mostram o momento em que o suspeito corre pelo hotel, aparentemente procurando pelo salão onde acontecia o jantar. Agentes de segurança percebem o movimento e atiram. Posteriormente, o homem é algemado e detido. Segundo as autoridades, ele estava armado com uma espingarda, uma pistola e facas, e tinha como alvo integrantes do governo.
O suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, natural da Califórnia. Publicações em suas redes sociais o descrevem como "engenheiro mecânico e cientista da computação por formação, desenvolvedor de jogos independente por experiência e professor".
Trump descreveu o suspeito como “lobo solitário”, ou seja, que agiu sozinho. O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, disse que Cole será levado ao tribunal nesta segunda-feira (27), onde será acusado de disparo de arma de fogo, agressão e tentativa de homicídio contra um agente federal.
O “manifesto”
No domingo (26), alguns veículos de imprensa e páginas da internet divulgaram um manifesto atribuído ao atirador. No texto, Cole pede desculpas à família, amigos e pessoas que colocou em perigo. Sobre a motivação do ataque, afirma que “é um cidadão dos Estados Unidos” e que “o que meus representantes fazem refletem em mim”.
“Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor manche minhas mãos com seus crimes. (Bem, para ser completamente honesto, já não estava disposto há muito tempo, mas esta é a primeira oportunidade real que tive de fazer algo a respeito)”, diz o texto.
Na carta, também há uma lista de possíveis alvos. Entre eles, integrantes do alto escalão da Casa Branca e, caso houvesse reação, agentes do Serviço Secreto e a equipe de segurança do hotel. “Hóspedes não são alvos de forma alguma. Ainda assim, eu passaria por qualquer pessoa aqui para chegar aos alvos, se fosse absolutamente necessário, mas realmente espero que não chegue a esse ponto”, finaliza.









