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Trump faz pressão para expulsar imprensa da Casa Branca

Presidente dos EUA teria pedidoa a assessores para transferir repórteres da Sala de Imprensa James S. Brady para um edifício vizinho à residência oficial

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Sofia Pilagallo
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado membros de seu governo para transferir os repórteres da Sala de Imprensa James S. Brady para fora da Casa Branca. Ele teria apresentado a ideia durante um de seus últimos encontros com Karoline Leavitt no Salão Oval, diante de vários assessores de alto escalão. As informações são do jornal "The New York Times".

Segundo o jornal, que citou três pessoas com conhecimento das discussões, Trump fez o pedido a Leavitt diversas vezes ao longo de meses, mas a proposta não avançou enquanto ela estava no cargo. A ex-secretária de imprensa deixou a Casa Branca em 27 de agosto, afirmando que queria passar mais tempo com a família.

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A transferência provavelmente seria para o Edifício Executivo Eisenhower, que fica ao lado da Ala Oeste e abriga escritórios de integrantes do governo. Embora seja um prédio separado, ele faz parte do complexo da Casa Branca, de modo que os jornalistas permaneceriam nas dependências da Presidência, mas fora do edifício onde trabalham atualmente.

O "The New York Times" avalia que, embora a transferência possa parecer uma discussão menor, a medida seria altamente simbólica e difícil de reverter por futuros presidentes. Isso porque a presença dos jornalistas na sede do Poder Executivo dos EUA representa, historicamente, um reconhecimento da importância da liberdade de imprensa em uma democracia constitucional.

A ideia de retirar a imprensa da Casa Branca não é nova. Durante a transição presidencial de 2016, Stephen Bannon, que assumiria como estrategista-chefe de Trump, sugeriu transferir os jornalistas da Ala Oeste para uma casa próxima à Praça Lafayette, em frente à Casa Branca. Altos funcionários rejeitaram a proposta, e Bannon apresentou o Edifício Eisenhower como alternativa.

Em janeiro de 2017, Reince Priebus, que assumiria como chefe de gabinete, confirmou publicamente que a equipe considerava transferir as coletivas de imprensa para o edifício. Ele apresentou a medida como uma forma de acomodar mais repórteres, mas a proposta foi considerada impraticável e acabou descartada.

O plano voltou a ser discutido no fim de 2024, durante a transição para o segundo mandato de Trump, mas novamente enfrentou resistência. Segundo o jornal, assessores experientes temiam que o presidente os responsabilizasse caso a retirada dos jornalistas provocasse uma piora na cobertura sobre a Casa Branca.

Antes de Trump, uma proposta semelhante havia sido considerada em 1993, no início do governo de Bill Clinton. Em suas memórias, o primeiro diretor de comunicação daquela gestão, George Stephanopoulos, relatou que a então primeira-dama, Hillary Clinton, queria transformar a área reservada à imprensa em uma piscina. Quando a ideia veio a público, a reação negativa foi imediata, e o plano acabou abandonado.

Ataques à imprensa

A pressão para retirar os jornalistas da Casa Branca ocorre em meio a uma série de ofensivas de Trump contra veículos de comunicação. O presidente moveu processos contra as emissoras ABC e CBS e o jornal “The Des Moines Register”. Segundo o "The New York Times", assessores deixaram claro que as ações tinham o objetivo de inibir a cobertura negativa sobre ele.

Em setembro, Trump anunciou nas redes sociais que estava proibindo o acesso da CNN, da MS NOW e do Politico à Casa Branca, acusando os veículos de divulgar "ficção e mentiras". Na sequência, o governo revogou as credenciais de mais de 70 jornalistas, impedindo o acesso deles ao complexo.

O juiz Timothy Kelly, nomeado por Trump em seu primeiro mandato, suspendeu inicialmente a proibição por considerar que o governo havia desrespeitado os procedimentos previstos. Na semana passada, ele decidiu que a medida violava os direitos dos veículos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição e ordenou a restauração das credenciais. O governo recorre da decisão.

Em outra frente, o Departamento de Justiça enviou, em 9 de outubro, cartas exigindo informações da ABC, CBS, CNN, NBC e Fox News. A iniciativa ocorreu após as cinco emissoras suspenderem temporariamente a cobertura conjunta da Casa Branca em solidariedade à CNN. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, a medida fazia parte de uma investigação sobre possíveis práticas contrárias à livre concorrência.

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