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Secretário de Defesa dos EUA diz que governo definirá termos de rendição para o Irã

Apesar de citar possível diálogo, Pete Hegseth afirmou que "país está disposto a ir até onde for preciso" para obter sucesso

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Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth | Divulgação

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou no domingo (8) que o governo definirá "os termos da rendição" ao Irã. Sem fornecer detalhes, ele disse que a rendição pode “assumir muitas formas”, mas que os termos serão definidos pelo presidente Donald Trump, e não por Teerã.

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“Estamos lutando para vencer. Nós definimos as condições. Saberemos quando eles não forem capazes de lutar. Chegará um ponto em que eles não terão outra escolha a não ser se render. Quer eles admitam ou não, quer o orgulho os permita dizer isso em voz alta ou não, será o presidente Trump quem definirá as regras”, disse Hegseth ao programa “60 Minutes”, da CBS.

A fala reforça o posicionamento de Trump, que, na última semana, havia dito que só aceitará negociar com o Irã quando houver o que chamou de "rendição incondicional" e uma liderança aceitável no país. A declaração foi criticada pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian, que chamou a exigência dos Estados Unidos por rendição de "um sonho que eles devem levar para o túmulo."

Apesar de citarem possíveis diálogos, a administração Trump prometeu um aumento drástico do poder de fogo contra o Irã nos próximos dias, citando a decisão do Reino Unido de permitir o uso de bases militares na região por Washington para ataques defensivos contra Teerã. Uma escalada também foi prometida pelas Forças de Defesa de Israel (FDI, na sigla em inglês).

“Nossas capacidades são esmagadoras comparadas às do Irã. E, francamente, quando você combina nossa Força Aérea com a força aérea das Forças de Defesa de Israel, são as duas forças aéreas mais poderosas do mundo”, disse Hegseth. “O presidente Trump sabe, você não conta a ninguém quais seriam seus limites para uma operação. Estamos dispostos a ir até onde for preciso para termos sucesso", acrescentou.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

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