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Relatório do governo Trump vai criticar Brasil e Moraes por suposta perseguição a Bolsonaro, diz jornal

Documento anual de direitos humanos dos EUA citará ministro do STF e ex-presidente; magistrado foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro no fim de julho

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Warley Júnior
12/08/2025, 13:40 • Atualizado em 12/08/2025, 13:43
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (à esquerda) e Alexandre de Moraes, ministro do STF (à direita) | Reprodução

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (à esquerda) e Alexandre de Moraes, ministro do STF (à direita) | Reprodução

O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, deve incluir críticas ao Brasil e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no relatório anual de direitos humanos. O documento, previsto para ser enviado ao Congresso americano nesta terça-feira (12), apontará suposta perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do mandatário norte-americano. As informações foram publicadas pelo jornal The Washington Post, que teve acesso a rascunhos vazados do material.

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De acordo com a reportagem, o texto citando o Brasil foi reformulado durante a gestão Trump para destacar ações de autoridades judiciais e policiais que teriam afetado Bolsonaro e seus apoiadores. Moraes, relator do inquérito que investiga os atos do 8 de janeiro de 2023 e a trama golpista, será citado no documento como figura central nesses processos.

O Washington Post afirma que a nova abordagem reflete uma mudança de prioridade no Departamento de Estado, com foco em criticar adversários políticos e poupar países considerados aliados. Fontes ouvidas pelo jornal, incluindo defensores de direitos humanos e ex-funcionários da pasta, consideram as acusações contra o Brasil exageradas e politicamente motivadas.

O veículo também apurou que rascunhos de relatórios sobre outros países – como África do Sul, El Salvador, Israel e Rússia – sofreram alterações significativas. Em alguns casos, trechos que mencionavam corrupção, maus-tratos a prisioneiros e perseguição a minorias LGBTQ+ foram retirados.

Segundo a reportagem, a reformulação causou tensão interna no Departamento de Estado. Documentos que começaram a ser elaborados ainda no governo do ex-presidente Joe Biden passaram por meses de revisões, com disputas sobre o tom a ser adotado em casos sensíveis, como o do Brasil.

A ex-subsecretária de Estado para Direitos Humanos Uzra Zeya afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, busca "usar como arma e distorcer a política de direitos humanos" para beneficiar aliados e atingir críticos.

O relatório sobre o Brasil será publicado como parte de um pacote anual que avalia a situação dos direitos humanos em diferentes países. O documento serve de base para decisões políticas e diplomáticas do governo americano e é considerado uma ferramenta de pressão internacional. Representantes da embaixada brasileira em Washington não responderam aos pedidos feitos pelo Washington Post.

Sanções a Moraes

As críticas ao ministro também ganharam peso no fim do mês passado, quando os EUA impuseram sanções a Moraes, segundo publicação no site do Departamento do Tesouro. "Alexandre de Moraes assumiu a responsabilidade de ser juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras", disse o Secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Segundo Bessent, Moraes é responsável por "uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam os direitos humanos e processos politizados, inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro". Na ocasião, ele afirmou ainda que a ação do país norte-americano "deixa claro que o Tesouro continuará a responsabilizar aqueles que ameaçam os interesses dos EUA e as liberdades de nossos cidadãos".

As sanções foram impostas com base na Lei Magnitsky, que permite ao presidente dos EUA adotar medidas econômicas contra estrangeiros acusados de corrupção ou abusos de direitos humanos. Com isso, todos os bens e interesses de Moraes em território americano foram bloqueados.

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