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Economist minimiza impacto das tarifas de Trump ao Brasil: 'Mais latido do que mordida'

Segundo a publicação, Brasil “pode ter evitado o pior por enquanto” e medida foi motivada por retaliação política

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SBT News
09/08/2025, 12:51 • Atualizado em 09/08/2025, 12:53
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Donald Trump | REUTERS/Kent Nishimura

Donald Trump | REUTERS/Kent Nishimura

A revista britânica The Economist avaliou, nesta sexta-feira (8), que a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros representa mais uma pressão política do que um golpe econômico efetivo.

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Segundo a publicação, "o gigante da América Latina pode ter evitado o pior por enquanto".

De acordo com o veículo, a medida, anunciada em 6 de agosto, teria sido motivada por retaliação política, em meio às investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, e não por razões comerciais.

O Brasil não foi o único alvo: a Índia recebeu tarifa similar por manter a compra de petróleo russo, e o Canadá foi advertido por Trump de que reconhecer um Estado palestino dificultaria negociações comerciais. No caso brasileiro, porém, a revista afirma que se trata do exemplo mais explícito de uso do comércio como instrumento para interferir em assuntos internos de outro país.

Apesar do tom agressivo, quase 700 produtos brasileiros foram isentos da alíquota, incluindo aviões, petróleo, celulose e suco de laranja. Já itens como café, carne e frutas ficaram de fora das exceções e seguirão sujeitos à tarifa integral.

Mesmo sem considerar as isenções, o impacto econômico, segundo The Economist, tende a ser moderado. Isso porque a participação do comércio exterior no PIB brasileiro é baixa, e a dependência do mercado norte-americano vem caindo. Hoje, apenas 13% das exportações brasileiras vão para os EUA — há 20 anos, essa fatia era de 25%. Já o comércio com a China cresceu quase seis vezes no período, alcançando 28% das exportações.

De acordo com a publicação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com firmeza, dizendo que o Brasil não será “tutelado” nem humilhado por um “imperador”. Ao mesmo tempo, buscou atuação diplomática: acionou empresas brasileiras e parceiras nos EUA para pressionar a Casa Branca, o que teria resultado na redução das isenções.

Para a revista, Lula deve manter a cautela, evitando transformar a disputa em um conflito maior. O ponto de atenção estaria nos próximos passos: no dia 6, o presidente anunciou que discutirá com outros integrantes do BRICS, grupo que reúne 11 economias emergentes, incluindo China e Índia, estratégias para reagir às tarifas.

O movimento, alerta The Economist, pode alimentar uma escalada de tensões comerciais. Trump já classificou o BRICS como “antiamericano” e, durante a cúpula do bloco no Rio de Janeiro, no mês passado, ameaçou impor mais 10% de tarifa sobre produtos dos países-membros.

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