Após dias de cortejo, Irã sepulta Khamenei em meio à tensão
Milhares acompanharam funeral do líder supremo em Mashhad; multidão fez ameaças aos EUA enquanto sucessor permanece fora da vida pública
Reuters
10/07/2026, 02:48 • Atualizado em 10/07/2026, 02:48
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Filho do falecido presidente iraniano Khamenei lidera a oração fúnebre de seu pai antes do sepultamento | Foto: Reuters
O Irã sepultou nesta quinta-feira (10) o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, encerrando uma semana de cerimônias e cortejos fúnebres marcados por manifestações de apoio ao regime e protestos contra os Estados Unidos. O funeral ocorreu no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, um dos locais religiosos mais importantes do país.
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Khamenei morreu após ataques aéreos conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel no início da guerra entre os dois países, em 28 de fevereiro. O enterro ocorre em meio à escalada do conflito e ao aumento das tensões na região.
O cortejo reuniu uma multidão no pátio do santuário em Mashhad. Imagens registradas pela Reuters mostram apoiadores carregando faixas com mensagens contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo cartazes com a frase: "Vamos matar Trump".
As cerimônias foram marcadas por forte aparato de segurança e discursos em defesa da continuidade da liderança política e religiosa do país.
Sucessor segue fora da vida pública
Após o sepultamento, o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho e apontado como sucessor do líder supremo, continua longe dos compromissos públicos.
Segundo informações divulgadas pelo governo iraniano, ele ficou desfigurado após o ataque aéreo que matou o pai. A ausência do sucessor durante as cerimônias tem alimentado especulações sobre a situação interna da liderança iraniana em meio ao conflito.
O sepultamento acontece enquanto Estados Unidos e Irã intensificam os confrontos militares. Nos últimos dias, forças americanas realizaram novos ataques contra alvos iranianos, enquanto Teerã promete retaliar e acusa Washington de romper o memorando de entendimento firmado em junho para encerrar a guerra.
A nova escalada aumenta a preocupação internacional com uma possível ampliação do conflito e seus impactos sobre a estabilidade do Oriente Médio e o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Na quarta-feira (8), o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) declarou que realizou novos ataques com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação em Ormuz e disse que atingiu 90 alvos militares.
"Por ordem do Comandante em Chefe, as forças do Comando Central dos EUA iniciaram a realização de ataques adicionais contra o Irã para degradar ainda mais sua capacidade de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis que navegam livremente por uma via navegável internacional vital", disse o comando militar.
O Irã, por outro lado, não assumiu a autoria dos ataques aos navios comerciais e acusa Washington de usar os incidentes como justificativa. O regime respondeu que defenderá seus interesses nacionais e sua soberania e, em resposta aos ataques norte-americanos às províncias do litoral sul e do leste do Irã, as Forças Armadas iranianas lançaram ataques contra infraestruturas militares dos EUA em países vizinhos do Golfo Pérsico.
O Ministério da Saúde do Irã informou que 14 pessoas morreram e outras 78 ficaram feridas em decorrência dos dois dias de ataque dos Estados Unidos. Entre os feridos, 47 permanecem hospitalizados.
Além do impacto militar, a escalada no Estreito de Ormuz já afeta o mercado global de energia. Após os novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, o petróleo Brent chegou a subir cerca de 5%, encerrando a sessão de quarta-feira em US$ 78,02 o barril, maior nível em mais de duas semanas. Nesta quinta-feira, os preços recuaram parcialmente, mas a incerteza sobre a retomada do tráfego pela rota estratégica manteve a preocupação dos investidores.
Após dias de cortejo, Irã sepulta Khamenei em meio à tensãoMilhares acompanharam funeral do líder supremo em Mashhad; multidão fez ameaças aos EUA enquanto sucessor permanece fora da vida públicaMundo2026-07-10T02:48:31.392ZO Irã sepultou nesta quinta-feira (10) o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, encerrando uma semana de cerimônias e cortejos fúnebres marcados por manifestações de apoio ao regime e protestos contra os Estados Unidos. O funeral ocorreu no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, um dos locais religiosos mais importantes do país. Khamenei morreu após ataques aéreos conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel no início da guerra entre os dois países, em 28 de fevereiro. O enterro ocorre em meio à escalada do conflito e ao aumento das tensões na região. + O cortejo reuniu uma multidão no pátio do santuário em Mashhad. Imagens registradas pela Reuters mostram apoiadores carregando faixas com mensagens contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo cartazes com a frase: "Vamos matar Trump". As cerimônias foram marcadas por forte aparato de segurança e discursos em defesa da continuidade da liderança política e religiosa do país. Sucessor segue fora da vida pública Após o sepultamento, o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho e apontado como sucessor do líder supremo, continua longe dos compromissos públicos. Segundo informações divulgadas pelo governo iraniano, ele ficou desfigurado após o ataque aéreo que matou o pai. A ausência do sucessor durante as cerimônias tem alimentado especulações sobre a situação interna da liderança iraniana em meio ao conflito. + Funeral ocorre em meio à escalada militar O sepultamento acontece enquanto Estados Unidos e Irã intensificam os confrontos militares. Nos últimos dias, forças americanas realizaram novos ataques contra alvos iranianos, enquanto Teerã promete retaliar e acusa Washington de romper o memorando de entendimento firmado em junho para encerrar a guerra. A nova escalada aumenta a preocupação internacional com uma possível ampliação do conflito e seus impactos sobre a estabilidade do Oriente Médio e o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Na quarta-feira (8), o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) declarou que realizou novos ataques com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação em Ormuz e . "Por ordem do Comandante em Chefe, as forças do Comando Central dos EUA iniciaram a realização de ataques adicionais contra o Irã para degradar ainda mais sua capacidade de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis que navegam livremente por uma via navegável internacional vital", disse o comando militar. O Irã, por outro lado, não assumiu a autoria dos ataques aos navios comerciais e acusa Washington de usar os incidentes como justificativa. O regime respondeu que defenderá seus interesses nacionais e sua soberania e, em resposta aos ataques norte-americanos às províncias do litoral sul e do leste do Irã, as Forças Armadas iranianas lançaram ataques contra infraestruturas militares dos EUA em países vizinhos do Golfo Pérsico. O Ministério da Saúde do Irã informou que em decorrência dos dois dias de ataque dos Estados Unidos. Entre os feridos, 47 permanecem hospitalizados. Além do impacto militar, a escalada no Estreito de Ormuz já afeta o mercado global de energia. Após os novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, o petróleo Brent chegou a subir cerca de 5%, encerrando a sessão de quarta-feira em US$ 78,02 o barril, maior nível em mais de duas semanas. Nesta quinta-feira, os preços recuaram parcialmente, mas a incerteza sobre a retomada do tráfego pela rota estratégica manteve a preocupação dos investidores. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/apos-dias-de-cortejo-ira-sepulta-khamenei-em-meio-a-tensao
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