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Após dias de cortejo, Irã sepulta Khamenei em meio à tensão

Milhares acompanharam funeral do líder supremo em Mashhad; multidão fez ameaças aos EUA enquanto sucessor permanece fora da vida pública

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Filho do falecido presidente iraniano Khamenei lidera a oração fúnebre de seu pai antes do sepultamento | Foto: Reuters

Filho do falecido presidente iraniano Khamenei lidera a oração fúnebre de seu pai antes do sepultamento | Foto: Reuters

O Irã sepultou nesta quinta-feira (10) o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, encerrando uma semana de cerimônias e cortejos fúnebres marcados por manifestações de apoio ao regime e protestos contra os Estados Unidos. O funeral ocorreu no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, um dos locais religiosos mais importantes do país.

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Khamenei morreu após ataques aéreos conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel no início da guerra entre os dois países, em 28 de fevereiro. O enterro ocorre em meio à escalada do conflito e ao aumento das tensões na região.

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O cortejo reuniu uma multidão no pátio do santuário em Mashhad. Imagens registradas pela Reuters mostram apoiadores carregando faixas com mensagens contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo cartazes com a frase: "Vamos matar Trump".

As cerimônias foram marcadas por forte aparato de segurança e discursos em defesa da continuidade da liderança política e religiosa do país.

Sucessor segue fora da vida pública

Após o sepultamento, o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho e apontado como sucessor do líder supremo, continua longe dos compromissos públicos.

Segundo informações divulgadas pelo governo iraniano, ele ficou desfigurado após o ataque aéreo que matou o pai. A ausência do sucessor durante as cerimônias tem alimentado especulações sobre a situação interna da liderança iraniana em meio ao conflito.

Funeral ocorre em meio à escalada militar

O sepultamento acontece enquanto Estados Unidos e Irã intensificam os confrontos militares. Nos últimos dias, forças americanas realizaram novos ataques contra alvos iranianos, enquanto Teerã promete retaliar e acusa Washington de romper o memorando de entendimento firmado em junho para encerrar a guerra.

A nova escalada aumenta a preocupação internacional com uma possível ampliação do conflito e seus impactos sobre a estabilidade do Oriente Médio e o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Na quarta-feira (8), o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) declarou que realizou novos ataques com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação em Ormuz e disse que atingiu 90 alvos militares.

"Por ordem do Comandante em Chefe, as forças do Comando Central dos EUA iniciaram a realização de ataques adicionais contra o Irã para degradar ainda mais sua capacidade de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis que navegam livremente por uma via navegável internacional vital", disse o comando militar.

O Irã, por outro lado, não assumiu a autoria dos ataques aos navios comerciais e acusa Washington de usar os incidentes como justificativa. O regime respondeu que defenderá seus interesses nacionais e sua soberania e, em resposta aos ataques norte-americanos às províncias do litoral sul e do leste do Irã, as Forças Armadas iranianas lançaram ataques contra infraestruturas militares dos EUA em países vizinhos do Golfo Pérsico.

O Ministério da Saúde do Irã informou que 14 pessoas morreram e outras 78 ficaram feridas em decorrência dos dois dias de ataque dos Estados Unidos. Entre os feridos, 47 permanecem hospitalizados.

Além do impacto militar, a escalada no Estreito de Ormuz já afeta o mercado global de energia. Após os novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, o petróleo Brent chegou a subir cerca de 5%, encerrando a sessão de quarta-feira em US$ 78,02 o barril, maior nível em mais de duas semanas. Nesta quinta-feira, os preços recuaram parcialmente, mas a incerteza sobre a retomada do tráfego pela rota estratégica manteve a preocupação dos investidores.

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