Por que Macron dissolveu parlamento da França após eleições europeias? Entenda
Presidente reagiu a fortalecimento da oposição na votação para o Parlamento Europeu
L
Leonardo Rodrigues
10/06/2024, 00:54 • Atualizado em 10/06/2024, 23:54
compartilhar
Emmanuel Macron, presidente da França | Reprodução
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
A decisão se tornou pública em meio à conclusão da votação para o Parlamento Europeu, pleito que impôs uma derrota ao político.
Eleições europeias
Resultados divulgados pela União Europeia na noite de domingo, durante a apuração, mostravam o "Rassemblement National" ("União Nacional", em tradução livre), partido de extrema direita, com 31,5% dos votos, contra14,5% da coalizão de Macron, de centro.
O gráfico abaixo, com base nessa mesma etapa da apuração, mostra o avanço da extrema direita no continente.
Gráfico mostra distribuição de assentos por grupo político no Parlamento Europeu, com resultados deste domingo (9) | Reprodução/UE
A União Nacional tem como principal liderança a ex-parlamentar Marine Le Pen, uma das principais opositoras do presidente, que foi derrotada por ele nas eleições de 2022 e comemorou os resultados desta eleição, que uma análise publicada pela agência Associated Press classificou como "humilhantes" para Macron.
"Eu ouvi suas mensagens e preocupações, e não as deixarei sem resposta", disse o presidente, ao reconhecer a derrota a nível europeu e fazer o anúncio em reação, conforme interpretaram analistas internacionais.
Macron pode fazer isso?
O 12º artigo da Constituição francesa diz que o presidente tem o poder de, após consultar o primeiro-ministro e os presidentes das assembleias, pronunciar a dissolução do parlamento nacional -- o que não altera a eleição dos eurodeputados.
"Nos padrões europeus, isso não é algo irregular e nem sequer inesperado. Não fere nenhuma das prerrogativas constitucionais e já ocorreu outras vezes no continente. Na prática, ele promove uma antecipação das eleições legislativas", disse ao SBT News Victoriana Gonzaga, advogada especializada em direito internacional e professora da FIA-SP (Fundação Instituto de Administração).
"Assim como o Legislativo pode abrir um processo e determinar o impeachment do chefe do Executivo, o presidente tem essa prerrogativa com relação aos parlamentares", concluiu a advogada.
O que acontece agora?
A decisão do presidente é constitucional e, portanto, o sistema eleitoral do país vai se organizar para promover as eleições nas datas anunciadas por ele: 30 de junho e 7 de julho.
"Macron reconheceu a derrota, porque as urnas refletiram uma força dobrada da oposição em relação a seu grupo. Sua tentativa é de mobilizar a própria base eleitoral em resposta a esses resultados", disse Victoriana Gonzaga.
Essa reação, no entanto, não dá ao político a garantia de que os resultados adversos não se reproduzam nessas votações e a extrema direita se fortaleça também no Legislativo nacional.
"Isso depende da proporção de eleitores. As eleições para o Parlamento Europeu comumente registram baixo índice de participação da população, e podem não indicar um movimento político geral", afirmou Victoriana Gonzaga.
Por que Macron dissolveu parlamento da França após eleições europeias? EntendaPresidente reagiu a fortalecimento da oposição na votação para o Parlamento EuropeuMundo2024-06-10T00:54:50.862ZO presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou neste domingo (9) a, agora marcadas para os dias 30 de junho e 7 de julho. A decisão se tornou pública em meio à conclusão da votação para o Parlamento Europeu, pleito que impôs uma derrota ao político. Eleições europeias Resultados divulgados pela União Europeia na noite de domingo, durante a apuração, mostravam o "Rassemblement National" ("União Nacional", em tradução livre), partido de extrema direita, com 31,5% dos votos, contra 14,5% da coalizão de Macron, de centro. O gráfico abaixo, com base nessa mesma etapa da apuração, mostra o avanço da extrema direita no continente. A União Nacional tem como principal liderança a ex-parlamentar Marine Le Pen, uma das principais opositoras do presidente, que foi derrotada por ele nas eleições de 2022 e comemorou os resultados desta eleição, que uma análise publicada pela agência Associated Press classificou como "humilhantes" para Macron. "Eu ouvi suas mensagens e preocupações, e não as deixarei sem resposta", disse o presidente, ao reconhecer a derrota a nível europeu e fazer o anúncio em reação, conforme interpretaram analistas internacionais. Macron pode fazer isso? O 12º artigo da Constituição francesa diz que o presidente tem o poder de, após consultar o primeiro-ministro e os presidentes das assembleias, pronunciar a dissolução do parlamento nacional -- o que não altera a eleição dos eurodeputados. "Nos padrões europeus, isso não é algo irregular e nem sequer inesperado. Não fere nenhuma das prerrogativas constitucionais e já ocorreu outras vezes no continente. Na prática, ele promove uma antecipação das eleições legislativas", disse ao SBT News Victoriana Gonzaga, advogada especializada em direito internacional e professora da FIA-SP (Fundação Instituto de Administração). Em maio, o . Nos últimos anos, outros chefes de Estado também tomaram essa decisão, normalmente em contextos de crises políticas locais. "Assim como o Legislativo pode abrir um processo e determinar o impeachment do chefe do Executivo, o presidente tem essa prerrogativa com relação aos parlamentares", concluiu a advogada. O que acontece agora? A decisão do presidente é constitucional e, portanto, o sistema eleitoral do país vai se organizar para promover as eleições nas datas anunciadas por ele: 30 de junho e 7 de julho. "Macron reconheceu a derrota, porque as urnas refletiram uma força dobrada da oposição em relação a seu grupo. Sua tentativa é de mobilizar a própria base eleitoral em resposta a esses resultados", disse Victoriana Gonzaga. Essa reação, no entanto, não dá ao político a garantia de que os resultados adversos não se reproduzam nessas votações e a extrema direita se fortaleça também no Legislativo nacional. "Isso depende da proporção de eleitores. As eleições para o Parlamento Europeu comumente registram baixo índice de participação da população, e podem não indicar um movimento político geral", afirmou Victoriana Gonzaga.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/por-que-macron-dissolveu-parlamento-da-franca-apos-eleicoes-europeias-entenda
Brasil poderá se tornar o 2º país mais taxado pelos EUA
Levantamento feito por meio do Global Trade Alert (GTA) mostra que país ficaria atrás apenas da China, se o tarifaço for confirmado nesta quarta-feira (15)
Trump ameaça atacar usinas e pontes do Irã na próxima semana
Presidente afirma que novos alvos serão atingidos caso Teerã não retome negociações; Convenções de Genebra proíbem ataques a estruturas essenciais para civis