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Papa Leão XIV pede por diálogo após ataques no Irã: "Encerrem a espiral de violência"

Pontífice afirmou que estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas ou armas

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Camila Stucaluc
01/03/2026, 12:22 • Atualizado em 01/03/2026, 12:23
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Papa Leão XIV | Reprodução/Vatican News

Papa Leão XIV | Reprodução/Vatican News

O Papa Leão XIV se pronunciou, neste domingo (1º), sobre a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O pontífice afirmou que acompanha a situação com “profunda preocupação”, pedindo que os países retomem o diálogo para encerrar as hostilidades.

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“A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável. Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, dirijo um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de encerrar a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”, disse.

Na declaração, Leão XIV ainda se dirigiu ao Paquistão, que declarou guerra aberta com o Talibã do Afeganistão, na última semana. O líder da Igreja Católica disse esperar que a “diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça”. “Rezemos juntos para que a harmonia prevaleça em todos os conflitos do mundo”, acrescentou o pontífice.

O que está acontecendo no Irã?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última quinta-feira (26), representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, que deixaram mais de 200 mortos, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos militares.

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