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Após morte de Khamenei, Irã anuncia líder supremo interino Alireza Arafi

Iraniano atuará como membro jurista do Conselho de Liderança, com a tarefa de escolher um novo líder para o país

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Irã anuncia líder supremo interino Alireza Arafi | Reprodução
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O aiatolá Alireza Arafi foi eleito líder supremo interino do Irã neste domingo (1º). A decisão foi tomada após a morte do aiatolá Ali Khamenei, durante o ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel contra o país.

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Segundo as autoridades, Arafi ficará à frente do Conselho Interino de Liderança iraniano, com a tarefa de comandar o processo de escolha de um novo líder supremo. O grupo também é composto pelo presidente, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni-Ejei.

“O Conselho de Discernimento de Conveniência selecionou o aiatolá Alireza Arafi como membro do Conselho Provisório de Liderança, para que a liderança do sistema possa continuar sem interrupção e a Assembleia de Especialistas possa escolher um líder permanente o mais rápido possível”, disse o porta-voz do conselho, Mohsen Dehnavi.

O Irã é formado por um regime teocrático desde 1979, quando a monarquia do Xá Reza Palévi foi derrubada na Revolução Iraniana. Isso significa que o país é governado por líderes religiosos ou baseado em dogmas de alguma religião. O aiatolá detém o poder máximo, seguido do presidente e do chamado "Conselho Guardião", composto por juristas islâmicos (clérigos) e juristas leigos (advogados).

Até então, apenas duas pessoas ocuparam a função de líder supremo: o aiatolá Khomeíni até 1989, e desde então, Ali Khamenei. Com a morte de Khamenei, vítima de um bombardeio aéreo no complexo presidencial, o posto fica vago, sendo definido por clérigos da Assembleia de Especialistas.

O que está acontecendo?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última quinta-feira (26), representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques contra instalações nucleares em junho de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos foi prometido pelos militares.

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