Enel SP é a empresa que mais regrediu em ranking da Aneel em 2025
Índice combina duração e frequência das quedas de energia em relação aos limites regulatórios


Caio Barcellos
A Enel São Paulo foi a concessionária que mais regrediu no ranking de qualidade da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2025. A empresa caiu 9 posições na classificação de continuidade do fornecimento, o pior desempenho entre as distribuidoras de energia de grande porte - aquelas que atendem mais de 400 mil unidades consumidoras.
O ranking considera indicadores de duração e frequência das interrupções no fornecimento de energia. Apesar da queda da Enel SP, os dados mostram melhora no serviço prestado no país. Em média, os consumidores ficaram 9,3 horas sem energia ao longo do ano, uma redução de 9,2% em relação a 2024.
A frequência das interrupções também diminuiu. Cada unidade consumidora registrou, em média, 4,66 quedas de energia em 2025, ante 4,89 no ano anterior.
Segundo a Aneel, a evolução dos indicadores reflete mudanças regulatórias recentes, como regras mais rígidas nos contratos de concessão, incentivos tarifários atrelados à qualidade e maior fiscalização sobre as distribuidoras.
A piora no ranking ocorre em meio ao avanço de um processo que pode levar à caducidade (perda antecipada) da concessão da Enel SP.
No início de abril, a diretoria da Aneel deu início ao procedimento após identificar falhas estruturais na prestação do serviço, especialmente na resposta a apagões provocados por eventos climáticos extremos. A agência apontou demora na recomposição da energia, falhas operacionais e deficiência no plano de contingência da empresa.
A distribuidora foi notificada nesta terça-feira (14) e tem prazo de 30 dias para apresentar defesa. Após essa etapa, o caso poderá ser encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela decisão final.
O processo também impede a renovação automática do contrato, que vence em 2028, e aumenta a pressão sobre a atuação da empresa na região metropolitana de São Paulo, onde atende cerca de 8 milhões de unidades consumidoras.
Em nota, a Enel disse que: "Os indicadores absolutos de qualidade das suas três distribuidoras (Enel Rio, Enel Ceará e Enel São Paulo) estão melhores do que a média do país. Cabe destacar ainda que a Enel São Paulo é a décima empresa com menor duração das interrupções (DEC) no Brasil. A companhia reafirma o compromisso com a melhoria contínua do serviço prestado a seus clientes, expressa pelos robustos investimentos realizados. E explica que o ranking do DGC leva em consideração limites regulatórios diferentes para cada concessão. Em São Paulo, por exemplo, esses limites são mais rigorosos, o que faz com que o ranking não reflita a realidade dos indicadores de qualidade."
Ranking: piores e melhores desempenhos
Além da Enel SP, outras distribuidoras apresentaram piora relevante no ranking. A Energisa Mato Grosso do Sul e a Neoenergia Brasília recuaram 7 posições cada na comparação com 2024.
Por outro lado, a CPFL Piratininga foi a empresa que mais avançou entre as de grande porte, com alta de 7 posições.
O pior desempenho no ranking de continuidade foi da Equatorial CEEE, do Rio Grande do Sul. Na sequência aparecem Equatorial Goiás, Cemig e a própria Enel SP.
No outro extremo, os melhores desempenhos foram registrados por CPFL Santa Cruz, Neoenergia Cosern e Equatorial Pará, que lideram o ranking de qualidade.
A Aneel classifica as distribuidoras com base no DGC (Desempenho Global de Continuidade), indicador que combina a duração (DEC) e a frequência (FEC) das interrupções em relação aos limites regulatórios. Quanto menor o índice, melhor o desempenho da concessionária.
Compensações passam de R$ 1 bilhão
As falhas no fornecimento geraram mais de R$ 1 bilhão em compensações pagas aos consumidores em 2025. No entanto, o valor total caiu de R$ 1,122 bilhão em 2024 para R$ 1,002 bilhão no ano passado.
A quantidade de compensações também diminuiu, de 27,3 milhões para 21,6 milhões. Os valores são creditados automaticamente na conta de luz quando os limites regulatórios são descumpridos.
Veja o ranking completo:
1º - CPFL Santa Cruz (SP): 0,54
2º - Neoenergia Cosern (RN): 0,56
3º - Equatorial Pará (PA): 0,59
4º - CPFL Piratininga (SP): 0,60
5º - Energisa PB (PB): 0,63
6º - Energisa RO (RO): 0,64
7º - CPFL Paulista (SP): 0,65
8º - Energisa Sul-Sudeste (SP/MG): 0,69
8º - Energisa TO (TO): 0,69
8º - Neoenergia Coelba (BA): 0,69
11º - EDP ES (ES): 0,70
11º - Energisa Minas Rio (MG/RJ): 0,70
11º - Energisa MT (MT): 0,70
11º - Equatorial AL (AL): 0,70
11º - Neoenergia Elektro (SP/MS): 0,70
16º - EDP SP (SP): 0,71
16º - Equatorial PI (PI): 0,71
18º - Amazonas Energia (AM): 0,74
18º - Energisa SE (SE): 0,74
20º - RGE (RS): 0,75
21º - Neoenergia Pernambuco (PE): 0,76
22º - Energisa MS (MS): 0,80
23º - Enel CE (CE): 0,82
23º - Enel RJ (RJ): 0,82
25º - Celesc (SC): 0,83
25º - Neoenergia Brasília (DF): 0,83
27º - Copel (PR): 0,84
27º - Light Sesa (RJ): 0,84
29º - Equatorial MA (MA): 0,86
30º - Enel SP (SP): 0,90
31º - Cemig (MG): 0,91
32º - Equatorial GO (GO): 0,96
33º - Equatorial CEEE (RS): 0,98









