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OMS alerta para risco de 'chuva negra' no Irã após ataques em depósitos de petróleo

Órgão fala em perigo respiratório; moradores foram aconselhados a ficarem em casa

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Porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier | Flickr

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, na terça-feira (10), para os riscos à saúde causados pela presença de "chuva negra" e "chuva ácida" no Irã. O fenômeno ocorre devido aos ataques dos Estados Unidos e Israel contra instalações petrolíferas no país.

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"Estamos em contato com os hospitais e com as autoridades, e as autoridades iranianas emitiram um alerta aconselhando as pessoas a permanecerem em casa, especialmente devido aos ataques a armazéns de petróleo. A chuva negra e a chuva ácida são, de fato, um perigo para a população”, disse o porta-voz da entidade, Christian Lindmeier.

Segundo ele, a agência também está monitorando os riscos à saúde da "liberação massiva" de hidrocarbonetos tóxicos, óxidos de enxofre e compostos de nitrogênio no ar. A inalação das substâncias pode causar dores de cabeça e irritação na pele e nos olhos.

Os ataques iranianos a infraestruturas petrolíferas de países do Golfo Pérsico, como Bahrein e Arábia Saudita, são outra preocupação da OMS. Lindmeier alertou para uma "exposição mais ampla à poluição regional" caso as instalações sejam atingidas, destacando efeitos de longo prazo dos poluentes, que afetam a saúde respiratória e contaminam a água.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

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