Ministra das Mulheres pede mudança cultural contra o feminicídio e rebate críticas por baixa participação feminina no governo Lula
Márcia Lopes defendeu que a postura da gestão petista é "incomparável" a outros governos


Hariane Bittencourt
Em meio a números alarmantes de violência contra a mulher no Brasil, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o enfrentamento ao feminicídio exige ação conjunta do estado e da sociedade. E defendeu que o combate a esse tipo de violência é prioridade do governo Lula (PT).
Em entrevista ao PodNews deste domingo (26), ela destacou que os dados - quase 1.600 feminicídios registrados no Brasil no ano passado e mais de 350 somente em 2026 - refletem uma realidade estrutural.
“Esses dados não são números, são vidas das mulheres. Nós as queremos vivas”, afirmou a ministra, ao comentar que o país registra, em média, quatro feminicídios por dia. Segundo ela, a violência tem raízes históricas. “O feminicídio integra uma lógica do patriarcado, do machismo, dessa ideia de poder do homem sobre o corpo da mulher”.
Márcia Lopes ponderou que o aumento dos registros pode estar ligado tanto ao crescimento real dos casos quanto à ampliação das denúncias. “Nós trabalhamos com esses dois cenários”, explicou. Para ela, iniciativas como o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) são fundamentais para dar visibilidade ao problema e orientar vítimas.
A ministra também chamou atenção para o avanço da violência no ambiente digital, especialmente entre os jovens.
“Estamos em pleno processo de enfrentamento à violência digital. Não podemos permitir que as plataformas sejam usadas para disseminar discurso de ódio”, disse ao citar a necessidade de regulamentação das redes sociais.
Márcia Lopes anunciou que o ministério deve avançar na criação de um sistema nacional integrado e em ações em parceria com outros ministérios, como o das Cidades no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida. “Seria muito importante que uma das casas fosse destinada ao uso das mulheres daquele território”, afirmou.
Participação feminina no governo
Na entrevista, a ministra reconheceu as críticas sobre a baixa participação feminina em cargos de alto escalão no governo Lula, mas ponderou que a presença de mulheres deve ser analisada de forma mais ampla dentro da estrutura estatal.
Segundo ela, apesar de o número de ministras ser minoritário, há avanço na ocupação de outros postos estratégicos, como secretarias executivas, estatais e instituições públicas.
“É um processo. Quanto mais a sociedade pressionar e se movimentar, melhor. Nós [governo] não estamos fora. Nenhum partido e nenhum governo está fora desse cenário nacional e dessa conjuntura nacional", disse.
Márcia Lopes atribuiu essa desigualdade a um processo de resistência à presença feminina no poder e fez referência à postura adotada pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“É incomparável a postura do presidente Lula em relação a outros presidentes. Nós tivemos presidentes que tiveram a coragem de dizer que quando nasce uma mulher, foi uma fraquejada. Isso é inadmissível”, concluiu.









