BCE aumenta juros após dois anos e cita impacto da guerra
Autoridade monetária europeia subiu taxa de depósito para 2,25% após avanço da inflação impulsionado pelos preços do petróleo e do gás

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE) | Foto: Heiko Becker/Reuters - 11.06.2026
O Banco Central Europeu (BCE) aumentou os juros pela primeira vez desde 2023 em uma tentativa de conter a inflação na zona do euro. A decisão foi influenciada principalmente pela alta dos custos de energia provocada pela guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo e do gás natural.
A taxa de depósito, uma das principais taxas de juros do BCE, passou de 2% para 2,25%. Na prática, a medida torna mais caro o acesso ao crédito para bancos, empresas e consumidores. A instituição também elevou de 2,15% para 2,4% os juros cobrados dos bancos que tomam empréstimos diretamente junto ao BCE.
O objetivo da medida é reduzir o ritmo da economia e evitar que a inflação continue acelerando. Em maio, a inflação na zona do euro chegou a 3,2%, acima dos 3% registrados em abril e ainda distante da meta de 2% estabelecida pelo BCE. A preocupação da autoridade monetária é que o aumento dos custos de energia leve empresas a repassarem essas despesas aos consumidores por meio de preços mais altos.
Os preços do petróleo permanecem acima de US$ 90 (R$ 460) por barril, bem acima dos cerca de US$ 70 (R$ 358) observados antes do início da guerra. Segundo a presidente do BCE, Christine Lagarde, a instituição chegou a considerar não reagir imediatamente ao choque nos custos de energia, mas concluiu que os aumentos nos preços do petróleo e do gás já estavam pressionando a inflação.
Christine afirmou que ainda é difícil prever os impactos econômicos do conflito. Segundo ela, tudo dependerá da duração da guerra e da persistência das pressões sobre os preços da energia. Caso o fornecimento energético siga comprometido por mais tempo, a inflação poderá permanecer elevada.
O mercado financeiro avalia que esta pode ser apenas a primeira de três altas de juros. Economistas consideram que a decisão marca uma mudança importante na política monetária europeia, embora alguns alertem que o BCE pode ter pouco espaço para continuar elevando as taxas, já que a economia da região mostra sinais de desaceleração e o desemprego está em alta.
Ao mesmo tempo, o BCE reduziu levemente sua previsão de crescimento para a zona do euro. A instituição agora projeta expansão de 0,8% em 2026 e de 1,2% em 2027, refletindo as incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio e seus possíveis efeitos sobre a atividade econômica.
Enquanto isso, o Banco da Inglaterra e o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, devem manter suas taxas de juros inalteradas nas próximas reuniões. As duas instituições preferem acompanhar os efeitos da alta dos preços da energia antes de decidir por novas medidas.















