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EUA e Irã trocam ataques pelo segundo dia consecutivo

Países no Golfo Pérsico voltaram a ser alvo de Teerã por abrigar bases militares de Washington

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Camila Stucaluc
11/06/2026, 06:05 • Atualizado em 11/06/2026, 06:05
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Estados Unidos disparam contra alvos na costa do Irã | Divulgação/Centcom

Estados Unidos disparam contra alvos na costa do Irã | Divulgação/Centcom

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Os Estados Unidos e o Irã voltaram a trocar hostilidades nesta quinta-feira (11). Durante a madrugada, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) lançou novos ataques contra bases militares de Washington no Golfo Pérsico, mirando o Kuwait e Bahrein.

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No Kuwait, o Ministério da Defesa informou que sistemas de defesa aérea interceptaram “alvos aéreos hostis”. Em meio aos ataques, o governo decidiu fechar o espaço aéreo do país por 24h, suspendendo todos os voos de chegada e saída. No Bahrein, sirenes de ataque aéreo foram ativadas durante a noite.

A ofensiva iraniana ocorre em resposta à última rodada de “ataques de autodefesa” dos Estados Unidos contra alvos militares, incluindo vigilância, radar e sistemas de comunicação, no sul do Irã. Explosões também foram relatadas na capital, Teerã, assim como na cidade portuária de Bandar Abbas.

“Fuzileiros Navais, da Força Aérea e da Marinha dispararam munições de precisão contra alvos iranianos que representavam uma ameaça às forças americanas e navios comerciais internacionais que transitavam pelas águas regionais. Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”, disse o Comando Central dos Estados Unidos, que compartilhou um vídeo dos lançamentos.

Os ataques representam uma das maiores trocas de hostilidades desde que Estados Unidos e Irã concordaram com um cessar-fogo, em abril, para avançar nas negociações de paz. O cenário fez Teerã voltar a fechar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo, como medida retaliatória.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. O mesmo ocorreu entre Israel e Líbano. A violação constante de ambas as tréguas, no entanto, dificulta o diálogo entre os países.

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