Ministro do Interior do Paraguai renuncia em meio à crise
A saída de Enrique Riera ocorre após denúncias de fraude no banco Ueno, que levaram à abertura de impeachment do presidente Santiago Peña

Enrique Riera, em retrato oficial de 2023 | Foto: Giuliano Montebruno/Wikimedia Commons
O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, apresentou sua renúncia nesta quinta-feira (5), depois que o presidente Santiago Peña anunciou que deixaria o cargo em meio à um processo de impeachment. Riera foi quem entregou ao Congresso Nacional a carta em que Peña formalizou a decisão, mas que foi recusada pela Câmara dos Deputados. O processo de impeachment do presidente segue ativo, com sessão marcada para esta sexta-feria (6).
Ao entregar a carta de Peña ao Congresso na quinta-feira (5), Riera disse que havia decidido permanecer ao lado do líder paraguaio até o último momento. No entanto, segundo o jornal paraguaio ABC Color, ele já havia discutido a possibilidade de deixar o ministério para reassumir sua cadeira no Senado. Horas depois, Riera apresentou sua própria renúncia ao Ministério do Interior.
No mesmo dia, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment contra Peña e encaminhou o caso ao Senado.
O pedido de impeachment, apresentado pela oposição, ganhou força quando parlamentares do governista Partido Colorado também declararam apoio à abertura do processo. Com a adesão da última bancada do partido, a medida passou a contar com os votos necessários para avançar na Câmara.
O Banco Central do Paraguai iniciou na terça-feira (3) o fechamento do Ueno Bank. O órgão detectou irregularidades, como empréstimos a empresas do mesmo grupo. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava US$ 850 milhões em recursos públicos. Desse total, US$ 355 milhões estavam ligados à Previdência Social do país.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025, quando já ocupava a Presidência. O caso também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado a instituição financeira antes de assumir o órgão regulador. Em Assunção, clientes do banco foram às ruas cobrar a liberação do dinheiro depositado.















