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Maduro e esposa se declaram inocentes de nova acusação

Procuradoria do Distrito Sul de Nova York afirma que o casal cometeu o crime de conspiração para torturar oponentes políticos

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André de Sena, com informações da Reuters
Presidente venezuelano Nicolás Maduro na cidade de Nova York | Eduardo Muñoz/Reuters

Presidente venezuelano Nicolás Maduro na cidade de Nova York | Eduardo Muñoz/Reuters

O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, se declararam inocentes da acusação de conspiração para torturar oponentes políticos feita pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York.

O casal participou nesta quinta-feira (15) de uma audiência no tribunal federal de Manhattan comandada pelo juiz Alvin Hellerstein. Eles vestiam uniformes prisionais da cor bege e estavam algemados pelos tornozelos.

Quando o magistrado perguntou qual seria o posicionamento de Maduro, o ex-presidente da Venezuela afirmou que as acusações são falsas. “Eu vi tudo, juiz Hellerstein”, declarou Maduro, referindo-se à acusação. “Rejeito este documento na íntegra.”

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Flores também rechaçou as acusações. “Sou totalmente inocente. Não sou culpada”, disse ao juiz.

Segundo a procuradoria, Maduro ordenou que autoridades venezuelanas torturassem políticos da oposição e militares acusados de conspirar contra ele para manter o poder no país sul-americano. Apesar disso, ele e sua mulher não teriam cometido pessoalmente nenhum ato de tortura.

Um dos episódios relatados na acusação teria ocorrido em 2014, quando o então líder venezuelano ordenou que seus subordinados sequestrassem militares para extrair deles informações sobre possíveis dissidentes.

Em outro caso, que teria ocorrido em 2013, Maduro determinou que um oficial suspeito de planejar um golpe fosse preso. O prisioneiro foi interrogado por membros da diretoria de contraespionagem militar da Venezuela enquanto era submetido a choques com um fio elétrico energizado. Cada vez que isso acontecia, ele era pendurado pelas mãos e pés por vários minutos.

Histório de tensões com os EUA

O governo socialista de Maduro na Venezuela durou quase 13 anos e foi marcado por tensões com Washington. Sucessivos presidentes dos Estados Unidos impuseram sanções a autoridades venezuelanas e a importantes empresas estatais, alegando supostas violações de direitos humanos, corrupção e fraude eleitoral. O líder venezuelano classificava essas ações como tentativas de destituí-lo do poder para obter maior controle sobre os recursos naturais do país sul-americano.

A campanha dos Estados Unidos culminou na operação militar realizada em 3 de janeiro de 2026, quando as Forças Armadas atacaram a capital venezuelana, Caracas, capturaram Maduro e Flores e os levaram para Nova York, onde estão presos.

Antes de ser acusado de conspiração para cometer tortura, o casal já respondia por outros três crimes: conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos; posse de metralhadoras e dispositivos explosivos em conexão com o tráfico de drogas; e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.

Maduro também responde sozinho pela acusação por conspiração de narcoterrorismo.

O juiz adiou o início do julgamento do casal em duas semanas por conta das novas acusações. A nova data é 14 de junho de 2027.

Com a queda de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo. Ela tem cooperado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em agosto, ele anunciou um acordo com para ampliar o acesso norte-americano às reservas de petróleo venezuelanas.

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