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Lula discursa hoje na Assembleia da ONU; veja o que esperar

Por tradição, Brasil é o primeiro país a falar no debate geral, seguido pelos Estados Unidos

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Camila Stucaluc
Lula discursando na ONU em 2025 | Ricardo Stuckert

Lula discursando na ONU em 2025 | Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, nesta terça-feira (22), da abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Essa é a décima vez que o líder fará o discurso na abertura, sendo o último em 2025.

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Por tradição, o Brasil é o primeiro Estado-membro a discursar na abertura do debate geral. A tradição começou em 1955, quando o Brasil se voluntariou para abrir as sessões.

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A declaração de Lula virá após as falas do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente da 81ª Assembleia Geral, Khalilur Rahman, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh. Em seguida, subirá ao palco o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anfitrião da sede da ONU.

Antes de embarcar para os Estados Unidos, Lula usou as redes sociais para falar sobre representar o Brasil na Assembleia. Na publicação, destacou a soberania do país, em meio à tensão política com os Estados Unidos devido à possível interferência de Washington nas eleições de outubro.

“Somos um país soberano, com uma economia forte que cuida de sua população e de sua riqueza. Que respeita todos e exige respeito. E isso defende a paz e o diálogo entre as nações. Este é o Brasil que estará presente na terça-feira na inauguração da ONU”, escreveu Lula.

A soberania brasileira deve ser um dos pontos centrais do discurso de Lula, além da não interferência externa nos processos eleitorais. O combate ao crime organizado também deve aparecer na declaração, em resposta aos Estados Unidos, que acusaram o Brasil de falhar na contenção do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV).

Temas principais da agenda internacional, como a defesa da paz e combate à fome, devem ser outros pontos do discurso, além de questões como mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e preservação dos direitos humanos.

Lula ainda deve abordar a importância do multilateralismo. Às vésperas da Assembleia Geral, o presidente, juntamente com outros líderes internacionais, defendeu a renovação do sistema multilateral diante do aumento das tensões geopolíticas e dos desafios globais, como emergência climática e conflitos, que, segundo os autores, não podem ser enfrentados isoladamente pelos países.

"Nenhum país, por mais poderoso que seja, pode enfrentar esses desafios sozinho. A cooperação não é um ato de idealismo; é uma necessidade prática. A questão não é saber se o multilateralismo pode sobreviver, mas como ele deve evoluir para responder às realidades do nosso tempo”, escreveram os líderes, em manifesto publicado no jornal britânico "Financial Times".

ONU sob pressão

A 81ª Assembleia Geral da acontece em um momento de forte pressão sobre as ONU, que enfrenta uma grave crise financeira e questionamentos sobre sua capacidade de responder aos principais conflitos internacionais. Em junho, a Assembleia Geral aprovou uma mudança nas regras financeiras para evitar um “colapso financeiro iminente”, mas não solucionou o problema estrutural de falta de recursos.

A sessão também ocorre em meio às necessidades humanitárias recordes e às guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, onde divisões entre as grandes potências têm limitado a atuação do Conselho de Segurança. A organização passa, ainda, por um amplo processo de reformas e redução de custos, que incluiu cortes de postos e mudanças na estrutura administrativa.

Mesmo com o panorama, Guterres expressou uma “esperança renovada” baseada no trabalho diário de diálogo e colaboração que ocorre na Assembleia Geral. O mesmo foi dito por Rahman, que ressaltou que a Assembleia “tem muito valor”. “A Assembleia segue sendo um lugar onde as pessoas se reúnem nos mais altos níveis, em um ambiente seguro, para definir o melhor caminho a seguir”, disse.

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