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Israel atualiza situação de brasileiros e intercepta último navio de missão humanitária

Marinette, embarcação da Flotilha Global Sumud, foi detido a caminho de Gaza; governo israelense inicia deportações

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Caroline Vale
03/10/2025, 13:10 • Atualizado em 04/10/2025, 02:59
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As Forças Armadas de Israel confirmaram nesta sexta-feira (3) a interceptação do Marinette, último barco da Flotilha Global Sumud que tentava romper o bloqueio à Faixa de Gaza para levar ajuda aos palestinos. O navio foi conduzido ao porto de Ashdod, um dia após israelenses deterem a maioria das embarcações da missão, que levava ativistas de diferentes países, incluindo brasileiros.

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Os organizadores da Flotilha Global Sumud disseram que a embarcação foi interceptada nesta manhã a cerca de 79 km de Gaza. A Rádio do Exército israelense disse que a Marinha havia reforçado o controle do último navio da flotilha, detendo os que estavam a bordo.

Na quinta-feira (2), o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia ameaçado o navio restante em alto-mar em uma publicação nas redes sociais: "Um último navio desta provocação permanece à distância. Se se aproximar, sua tentativa de entrar em uma zona de combate ativa e romper o bloqueio também será impedida", declarou.

Israel diz que deportação de ativistas ocorrerá "o mais rápido possível"

Em publicação nesta sexta-feira (3), o Ministério das Relações Exteriores de Israel alegou que todos os passageiros "estão seguros e com boa saúde" e passam por procedimentos de deportação para a Europa. Entre os detidos estão pelo menos 15 brasileiros, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), além da ativista sueca Greta Thunberg.

A nota informou ainda que quatro italianos já foram deportados e que os demais participantes devem ser repatriados "o mais rápido possível".

"Estão em andamento procedimentos para encerrar a provocação Hamas-Sumud e finalizar a deportação dos participantes dessa farsa. Quatro cidadãos italianos já foram deportados. Os demais estão em processo de deportação. Israel está empenhado em encerrar esse procedimento o mais rápido possível", disse o Ministério das Relações Exteriores israelense em comunicado publicado na rede social X (antigo Twitter).

Israel chamou a missão humanitária, que partiu pacificamente levando água, comida e medicamentos ao povo palestino, de "Hamas-Sumud", sugerindo relação dos ativistas com o grupo Hamas.

Em um comunicado, os organizadores da flotilha denunciaram a ação como “ilegal”, alegando que a interceptação ocorreu em águas internacionais e violou o direito internacional. O grupo afirma que a missão tinha caráter exclusivamente humanitário.

Embarcações com Greta Thunberg e ativistas brasileiros são interceptadas por Israel perto de Gaza | Reprodução/Reuters
Embarcações com Greta Thunberg e ativistas brasileiros são interceptadas por Israel perto de Gaza | Reprodução/Reuters

Itamaraty planeja visitar brasileiros

Representantes do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) planejam visitar, nesta sexta-feira (3), os brasileiros detidos por Israel. Segundo o deputado federal Lindbergh Farias (PT), o objetivo é uma equipe consular verificar as condições de saúde e segurança dos cidadãos.

O governo brasileiro também condenou a operação em nota, classificando-a como “arbitrária” e exigindo a libertação imediata dos cidadãos brasileiros. Tendo em vista o caráter pacífico da missão, a pasta afirmou que a ação israelense constitui grave violação ao direito internacional, incluindo o direito marítimo internacional.

Israel, por sua vez, afirma que o bloqueio marítimo é uma medida legal para impedir o envio de armas ao Hamas. O Ministério das Relações Exteriores israelense descreveu a missão como “provocação” e reiterou que qualquer ajuda poderia ser entregue por canais oficiais.

A Flotilha Global Sumud, formada por mais de 40 barcos e cerca de 500 ativistas, partiu no fim de agosto e se tornou uma das maiores mobilizações internacionais contra o bloqueio a Gaza desde a ofensiva militar iniciada em outubro de 2023.

Veja a nota do Itamaraty na íntegra:

"O governo brasileiro condena, nos mais fortes termos, a interceptação ilegal e a detenção arbitrária, por Israel, na última madrugada, em águas internacionais, das embarcações que integram a Flotilha Global Sumud, assim como a detenção ilegal de ativistas pacíficos, dentre os quais quinze nacionais brasileiros, incluindo a Deputada Federal Luizianne Lins. O Brasil exorta o governo israelense a liberar imediatamente os cidadãos brasileiros e demais defensores de direitos humanos detidos.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel, por meio da Embaixada do Brasil em Tel Aviv e da Embaixada de Israel em Brasília, foi formalmente notificado da inconformidade do Brasil com as ações do governo de Israel.

Tendo em vista o caráter pacífico da flotilha e seu objetivo de realizar entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, sua interceptação por forças israelenses constitui grave violação ao direito internacional, incluindo o direito marítimo internacional, em particular a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que consagra a liberdade de navegação.

Operações de caráter estritamente humanitário devem ser autorizadas e facilitadas por todas as partes em conflito, não podendo ser arbitrariamente obstadas ou consideradas ilícitas. O Brasil conclama a comunidade internacional a exigir de Israel a cessação do bloqueio à Gaza, por constituir grave violação ao direito internacional humanitário.

Recorda, ademais, as obrigações legais de Israel sob a Convenção de Viena sobre Relações Consulares (1963) e exige a facilitação de visitas por parte das autoridades consulares da Embaixada do Brasil em Tel Aviv a todos os ativistas brasileiros detidos ilegalmente.

O Brasil expressa sua posição de que Israel deverá ser responsabilizado por quaisquer atos ilegais e violentos cometidos contra a Flotilha e contra os ativistas pacíficos que dela participam e deverá assegurar sua segurança, o bem-estar e integridade física enquanto permanecerem sob a custódia de autoridades israelenses."

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