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Israel ordena palestinos a deixarem Cidade de Gaza: "Quem ficar será considerado terrorista"

Exército prepara nova ofensiva contra o Hamas na região; avanço acontece em meio à possível acordo de cessar-fogo

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Camila Stucaluc
02/10/2025, 09:09 • Atualizado em 02/10/2025, 09:09
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Exército de Israel em ofensiva em Gaza | Divulgação/Forças de Defesa de Israel

Exército de Israel em ofensiva em Gaza | Divulgação/Forças de Defesa de Israel

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, emitiu um comunicado na quarta-feira (1º) ordenando a retirada imediata de todos os civis da Cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza. A ordem acontece em meio à aproximação das tropas para uma nova ofensiva militar contra o grupo extremista Hamas na região.

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No comunicado, Katz enfatizou que essa será a última oportunidade para os residentes de Gaza deixaram a cidade e se deslocarem para o sul do enclave palestino. Segundo ele, aqueles que decidirem permanecer no município “serão considerados terroristas e apoiadores do terror”, mesmo que não apoiem o Hamas.

“As FDI [Forças de Defesa de Israel] concluíram a captura do eixo Netzarim até a costa de Gaza. Isso reforça o cerco em torno da Cidade de Gaza. As FDI estão preparadas para todas as possibilidades e estão determinadas a continuar suas operações – até que todos os reféns sejam devolvidos e o Hamas seja desarmado, no caminho para acabar com a guerra”, disse.

O plano para invadir a Cidade de Gaza, lar de ao menos 1 milhão de palestinos, foi anunciado por Israel ainda em agosto. Os militares alegam que o município é a sede do Hamas na Faixa de Gaza e que abriga uma extensa rede de túneis, utilizados pelo grupo como rota de fuga, estoque de armas e, em alguns casos, cativeiro de reféns.

A nova ofensiva foi fortemente condenada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que afirmou que a ação resultará no massacre de civis, em novos deslocamentos forçados e na destruição de infraestrutura essenciais, como hospitais. A entidade ainda criticou a orientação do exército sobre a zona humanitária em Al Mawasi, no sul, uma vez que o local continua sendo alvo de bombardeios e não tem acesso a serviços básicos, como água.

Acordo de cessar-fogo

O avanço das tropas militares em acontece na mesma semana em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro isralenese, Benjamin Netanyahu, anunciaram um acordo de cessar-fogo permanente em Gaza. O documento foi enviado por representantes de Washington ao Hamas, que disse estar avaliando os termos.

A proposta engloba a libertação dos reféns ainda mantidos pelo Hamas, vivos e mortos, em troca de 250 palestinos condenados e 1.700 detidos em Israel. O texto também inclui a desmilitarização de Gaza e a entrada de ajuda humanitária na região, incluindo reabilitação de infraestrutura, além da anistia a integrantes do grupo extremista que se renderem.

O acordo propõe que, enquanto um novo governo não é firmado, o enclave palestino será administrado por uma gestão internacional temporário, chamado de “Conselho da Paz”. O grupo será chefiado por Trump e outros líderes e ex-chefes de Estado, incluindo o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, e formado por palestinos qualificados. O Hamas, por sua vez, não terá participação no governo.

Outros pontos do acordo incluem:

  • a criação de um plano de desenvolvimento para reconstruir e revitalizar Gaza;
  • o estabelecimento de uma zona econômica especial com tarifas preferenciais e taxas de acesso negociadas;
  • a garantia de segurança por parceiros regionais, que deverão impedir o Hamas e outras facções de descumprirem os termos do acordo.

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