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Embarcações com Greta Thunberg e ativistas brasileiros são interceptadas por Israel perto de Gaza

Segundo relatos publicados nas redes sociais do grupo de ativistas, os participantes foram levados para Israel

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Antonio Souza, com informações da Reuters
01/10/2025, 21:11 • Atualizado em 02/10/2025, 04:36
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Mariana Conti, Bruno Sperb e Gabriela Tolotti estavam nas embarcações - Reprodução / Redes Sociais

Mariana Conti, Bruno Sperb e Gabriela Tolotti estavam nas embarcações - Reprodução / Redes Sociais

Duas embarcações com seis ativistas brasileiros que participavam da Flotilha Global Sumud foram interceptadas por forças navais de Israel nesta quarta-feira (1º), enquanto navegavam rumo à Faixa de Gaza com remédios e alimentos. Em um dos navios também estava a ativista sueca Greta Thunberg.

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Os participantes estavam em uma flotilha, um conjunto organizado de barcos ou navios que viajam em coordenação, formando uma espécie de “comboio no mar”.

De acordo com a organização da flotilha, a embarcação Sirius Haifa, que seguia acompanhada de outros barcos civis, foi abordada em águas internacionais por navios da Marinha israelense. Após a interceptação, transmissões ao vivo foram interrompidas e o contato com a tripulação foi perdido.

Mais cedo, outra flotilha chamada de Alma foi interceptada por Israel. Nela estava Greta Thumberg e o ativista Thiago Ávila.

Os brasileiros que estavam nas flotilhas são:

  • Bruno Sperb Rocha,
  • Lisiane Penca Severo,
  • Magno de Carvalho Costa
  • Mariana Conti Takahashi
  • Thiago Ávila
  • Gabriela Tolotti

Mariana Conti, vereadora de Campinas pelo PSOL, havia publicado dois dias antes, em suas redes sociais, informações sobre a ajuda humanitária da flotilha. Durante uma transmissão ao vivo pelo Instagram, ela relatou o momento da interceptação pelas forças israelenses.

Veja:

A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL) publicou em suas redes sociais sobre o ocorrido e fez um apelo às autoridades brasileiras para que intervenham em favor do retorno das ativistas ao Brasil.

Veja:

Mais cedo, o Thiago Ávila, que estava na flotilha de Greta, relatou à agência Reuters a interceptação das forças israelenses.

"Seis minutos a circular o nosso barco com toda a nossa equipa em nível máximo de alerta para uma intercepção e depois um ataque, o barco mudou de rumo e foi para o Sirius (outro barco da flotilha), que é o segundo barco na frente da nossa flotilha. Quando chegou ao Sirius, eles fizeram exatamente a mesma coisa. Uma manobra muito perigosa na frente da proa do barco, por milagre também não colidiu com o barco, e então começou a circular o barco também, por um tempo mais longo, por cerca de 15 minutos, até que finalmente se afastou e desapareceu.", disse Ávila em entrevista à agência de notícias Reuters.

A Flotilha Global Sumud reúne mais de 40 barcos civis, transportando cerca de 500 pessoas, entre parlamentares, advogados e ativistas.

O grupo afirma que a missão tem caráter exclusivamente humanitário e busca romper o bloqueio israelense a Gaza, levando insumos básicos em meio à guerra.

Os organizadores da flotilha afirmaram em nota que detectaram ao menos 20 embarcações militares no radar antes da abordagem. “Isso pode sinalizar um bloqueio naval. Mas que fique claro: não seremos intimidados por ameaças, assédio ou esforços para manter o cerco ilegal de Israel a Gaza”, declarou a coalizão.

Posição de Israel

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Israel disse que a flotilha foi alertada de que se aproximava de uma “zona de combate ativa” e que estaria violando um bloqueio naval considerado legal pelo país. Segundo o governo israelense, foi oferecida a opção de redirecionar a ajuda para Gaza “por canais seguros e pacíficos”.

O bloqueio marítimo à Faixa de Gaza é criticado por organizações internacionais, que o consideram uma forma de cerco que agrava a crise humanitária no território palestino. Já Israel defende a medida como necessária para impedir o envio de armas ao grupo Hamas.

Deputada federal entre os detidos

A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) também foi detida por forças israelenses nesta quarta-feira (1º). Segundo informações da Bancada do PT na Câmara, ela estava a bordo do navio Grande Blu quando a interceptação ocorreu.

A Bancada do PT informou que acionou o governo brasileiro para acompanhar a situação e garantir a integridade física e a liberação dos integrantes da flotilha.

O partido também reafirmou apoio a iniciativas de paz e à atuação de organismos internacionais que buscam assistência humanitária na região.

O que diz o Itamaraty?

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Governo Brasileiro (Itamaraty) informou que acompanha com preocupação a situação e já está em contato com as autoridades israelenses para prestar assistência aos cidadãos brasileiros.

Veja a nota na íntegra: "O governo brasileiro acompanha com preocupação a interceptação pela marinha israelense de embarcações da “Flotilha Global Sumud”, que contam com presença de cidadãs e cidadãos brasileiros, incluindo parlamentares.

Diante das primeiras notícias de detenção de nacionais brasileiros a bordo de embarcações da flotilha, entre eles a deputada federal Luizianne Lins, o Brasil recorda o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e ressalta o caráter pacífico da flotilha.

O governo brasileiro deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica. No contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas.

Reitera, nesse contexto, exortação pelo levantamento imediato e incondicional de todas as restrições israelenses à entrada e distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, em consonância com as obrigações de Israel, como potência ocupante, à luz do direito internacional humanitário.

A Embaixada do Brasil em Tel Aviv está em contato permanente com as autoridades israelenses, de modo a prestar a assistência consular cabível aos nacionais, conforme estabelece a Convenção de Viena sobre Relações Consulares."

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