PM é preso após matar jovem em briga de trânsito na zona norte de SP
Policial militar alega legítima defesa, mas investigação aponta execução após discussão; vítima deixa filha recém-nascida de 14 dias
Antonio Souza
Agência SBT
Um policial militar foi preso em flagrante, na tarde de segunda-feira (5), após matar a tiros um jovem durante uma briga de trânsito na zona norte de São Paulo, na região da Vila Nova Cachoeirinha.
Segundo o boletim de ocorrência, Bruno Lima, de 21 anos, foi atingido por um disparo na cabeça, efetuado pelo PM Leandro de Souza Assis, de 37 anos, com a pistola da corporação. O jovem chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal de Cachoeirinha, mas não resistiu aos ferimentos.
Leandro afirmou à polícia que a discussão começou porque não havia espaço para os dois carros passarem ao mesmo tempo, na Rua Luanda.
De acordo com o relato do PM, ele deu marcha à ré para liberar o caminho e depois emparelhou o veículo dirigido por Bruno, na esquina com a Rua Reverendo Carlos Wesly. Nesse momento, a vítima teria feito ameaças e iniciado as ofensas, chamando Leandro de “Zé-Povinho”.
O policial também declarou que tentou fotografar o carro de Bruno, o que teria deixado o jovem mais irritado. Em seguida, segundo a versão do PM, Bruno abriu parcialmente a porta do carro, colocou um pé para fora e fez menção de sacar uma arma.
Leandro disse que, diante da ameaça, reagiu: sacou a pistola da corporação e atirou contra o jovem.
Após o disparo, o PM deixou o local dirigindo, acessou a Rua Acióli, parou o carro, desembarcou e acionou a polícia. Duas câmeras de monitoramento instaladas na região registraram a movimentação logo após o crime e devem ser anexadas à investigação.
Prisão preventiva decretada
O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que Leandro passou por audiência de custódia, e a Justiça decidiu converter o flagrante em prisão preventiva.
O velório de Bruno Lima está marcado para quarta-feira (7), às 11h, no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, localizado na Avenida João Marcelino Branco, 345, Vila dos Andrades, zona leste da capital. O sepultamento está previsto para 15h do mesmo dia.

Bruno tinha 21 anos, estava vivendo a paternidade pela primeira vez e deixa uma filha recém-nascida, com apenas 14 dias de vida. A criança é fruto do relacionamento dele com a companheira, que acompanha o caso e pede justiça.
O que acontece com o PM agora?
O policial permanece preso, e a Corregedoria da Polícia Militar também acompanha o caso paralelamente à investigação da Polícia Civil, que vai apurar se houve realmente legítima defesa ou execução motivada pela briga.









