Adolescente é sequestrada após gesto em foto ligado a facção no RS
Polícia prendeu quatro suspeitos no RS; gesto em rede social teria sido interpretado como provocação entre grupos criminosos
Guilherme Rockett
Uma adolescente de 15 anos foi sequestrada e mantida em cárcere privado após publicar uma foto em rede social fazendo um gesto com as mãos associado a uma facção criminosa rival. O caso ocorreu no Rio Grande do Sul, e quatro suspeitos foram presos pela Polícia Civil.
Segundo a polícia, o gesto feito pela jovem em uma foto foi interpretado por criminosos como uma demonstração de apoio a um grupo rival que disputa o controle do tráfico na região.
As facções utilizam símbolos e sinais com as mãos para marcar territórios, intimidar rivais e demonstrar poder, especialmente nas redes sociais.
A adolescente foi mantida em cárcere privado e sofreu agressões. Após o crime, ela foi socorrida e passou por cirurgia. O estado de saúde não foi detalhado pelas autoridades.
O caso é investigado pela Polícia Civil, que trabalha para esclarecer todas as circunstâncias do crime.
Quatro homens, com idades entre 30 e 45 anos, foram identificados e presos durante a investigação. Eles são suspeitos de participação direta no sequestro e nas agressões.
A polícia apura se há outros envolvidos no crime.
Gestos podem representar risco
Segundo o delegado Adriano Nonnenmacher, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), os gestos são usados como forma de comunicação entre criminosos.
“Essas simbologias são usadas para identificação e propaganda e acabam sendo difundidas nas redes sociais, muitas vezes replicadas por pessoas que desconhecem o significado”, explicou.
Um estudo do Observatório de Segurança identificou duas principais alianças criminosas que utilizam esses sinais:
- “Tudo Dois”, ligada ao Comando Vermelho;
- “Tudo Três”, associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Jovens são os mais vulneráveis, dizem especialistas
Segundo especialistas em segurança, jovens são os mais expostos a esse tipo de risco, principalmente devido à popularização de símbolos nas redes sociais.
O advogado e consultor em segurança Alberto Kopittke afirma que essas práticas são usadas para intimidar comunidades e influenciar adolescentes.
A polícia reforça a importância da conscientização sobre os riscos e orienta que qualquer ameaça ou crime seja denunciado às autoridades.









