Guerra com Irã terminará após midterms, diz Trump
Presidente norte-americano também citou possível queda no preço do petróleo depois do pleito, marcado para novembro

Presidente dos EUA, Donald Trump | Patrick B. Ruddy/Official White House Photo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira (10) que a guerra contra o Irã “terminará imediatamente” após as eleições de meio de mandato – conhecidas como midterms. O pleito, que acontece em novembro, vai decidir a composição do Congresso, hoje com maioria republicana.
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“Inicialmente, eu queria fazer um acordo. Estamos muito avançados. Eles [Irã] têm muito pouco território restante no momento. Sim, uma negociação poderia acontecer, mas não é algo que estamos analisando. Essa guerra terminará imediatamente após nossa eleição, porque eles não aguentam mais”, disse.
A fala acontece em meio à baixa popularidade de Trump nos Estados Unidos devido ao aumento do custo de vida, provocado pela guerra contra o Irã (leia mais abaixo). Isso porque o conflito se expandiu para o Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo mundial, pressionando a inflação global.
Questionado sobre o cenário, Trump afirmou que os preços do petróleo vão “despencar” após as eleições. “Controlamos o Estreito e muitas outras coisas. Mas logo após a eleição, os preços do petróleo vão despencar. Eles vão desmoronar, e nós vamos derrubá-los”, disse.
O cenário econômico vem preocupando aliados republicanos, que temem que Trump perca o controle do Congresso nas midterms. Em agosto, uma pesquisa da Reuters/Ipsos mostrou, pela primeira vez em cerca de uma década, que os eleitores preferem os democratas (38%) aos republicanos (35%) como melhores gestores da economia e custo de vida no país.
Esperando salvar a atual composição do Congresso, o Partido Republicano adotou a medida incomum de realizar uma convenção nacional antes das midterms. Durante discurso no primeiro dia de evento, em Dallas, no Texas, Trump chegou a prometer enviar US% 5 mil a cada adulto norte-americano caso o Partido Republicano vença o pleito.
"Se os republicanos conquistarem a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos — ambos graças à nossa enorme força e sucesso econômico —, eu concederei um dividendo de US$ 5 mil a cada cidadão adulto dos Estados Unidos. A única ressalva é que o dividendo que estamos oferecendo deve ser gasto nos Estados Unidos”, disse.
Guerra no Irã
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Um memorando de entendimento foi firmado entre os países em junho, ampliando a trégua para 60 dias, visando chegar a um acordo nuclear definitivo para interromper as hostilidades. O prazo, no entanto, terminou no fim de agosto sem uma solução entre os países.















