Guarda Revolucionária do Irã pede mudança de regime nos EUA
Carta aberta foi divulgada semanas antes das eleições legislativas de meio de mandato
Camila Stucaluc
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã divulgou na terça-feira (29) uma carta aberta aos norte-americanos. No texto, a corporação apela aos eleitores que rejeitem as políticas do presidente Donald Trump e que promovam uma mudança de regime nos Estados Unidos.
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A carta foi divulgada poucas semanas antes das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O pleito, que acontece em novembro, vai decidir a composição do Congresso norte-americano, hoje com maioria do Partido Republicano, mesma sigla de Trump.
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No documento, a IRGC afirma que o atual governo está levando o país ao declínio, referindo-se a Trump como “mentiroso” e “ganancioso”. Acusa, ainda, o presidente de esconder a natureza pacífica do programa nuclear iraniano (leia mais abaixo), dizendo que o verdadeiro interesse do republicado é “saquear a riqueza do Irã” e transformar o país em uma colônia.
“A segurança nacional dos Estados Unidos e a vida de seus militares foram confiadas a alguém que não é apenas um mentiroso contumaz, mas também um homem cuja motivação de vida é a acumulação de maior riqueza. Ele conduz a política externa americana de acordo com seus interesses pessoais”, diz o texto.
A IRGC também declara o Irã vencedor na guerra, argumentando que os Estados Unidos não cumpriram nenhum de seus objetivos declarados, incluindo a contagem do programa nuclear iraniano.
A corporação defende uma mudança profunda na política externa de Washington, especialmente no que se refere ao apoio a Israel e às guerras no exterior. Pede, ainda, que os americanos “revisem sua decisão” sobre seus líderes. "Temos a certeza de que, se o povo americano compreendesse verdadeiramente a realidade das atrocidades que seus líderes cometem em seu nome, repudiariam esses líderes.”
Guerra no Irã
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
Em abril,Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Um memorando de entendimento foi firmado entre os países em junho, ampliando a trégua para 60 dias, visando chegar a um acordo nuclear definitivo para interromper as hostilidades. O prazo, no entanto, terminou no fim de agosto sem uma solução entre os países.
Guarda Revolucionária do Irã pede mudança de regime nos EUACarta aberta foi divulgada semanas antes das eleições legislativas de meio de mandatoMundo2026-09-30T06:37:00.000ZA Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã divulgou na terça-feira (29) uma carta aberta aos norte-americanos. No texto, a corporação apela aos eleitores que rejeitem as políticas do presidente Donald Trump e que promovam uma mudança de regime nos Estados Unidos. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. A carta foi divulgada poucas semanas antes das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O pleito, que acontece em novembro, vai decidir a composição do Congresso norte-americano, hoje com, mesma sigla de Trump. No documento, a IRGC afirma que o atual governo está levando o país ao declínio, referindo-se a Trump como “mentiroso” e “ganancioso”. Acusa, ainda, o presidente de esconder a natureza pacífica do programa nuclear iraniano (leia mais abaixo), dizendo que o verdadeiro interesse do republicado é “saquear a riqueza do Irã” e transformar o país em uma colônia. “A segurança nacional dos Estados Unidos e a vida de seus militares foram confiadas a alguém que não é apenas um mentiroso contumaz, mas também um homem cuja motivação de vida é a acumulação de maior riqueza. Ele conduz a política externa americana de acordo com seus interesses pessoais”, diz o texto. A IRGC também declara o Irã vencedor na guerra, argumentando que os Estados Unidos não cumpriram nenhum de seus objetivos declarados, incluindo a contagem do programa nuclear iraniano. A corporação defende uma mudança profunda na política externa de Washington, especialmente no que se refere ao apoio a Israel e às guerras no exterior. Pede, ainda, que os americanos “revisem sua decisão” sobre seus líderes. "Temos a certeza de que, se o povo americano compreendesse verdadeiramente a realidade das atrocidades que seus líderes cometem em seu nome, repudiariam esses líderes.” Guerra no Irã Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções. Tal acordo, no entanto, foi , que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso. Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia. No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os , e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel. O conflito se expandiu após o, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o, pressionando a economia global. Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Um , ampliando a trégua para 60 dias, visando chegar a um acordo nuclear definitivo para interromper as hostilidades. O prazo, no entanto, terminou no fim de agosto sem uma solução entre os países.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/guarda-revolucionaria-do-ira-pede-mudanca-de-regime-nos-eua
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