Haddad e Tarcísio trocam acusações sobre contas públicas
No último debate ao Governo de SP na TV Globo, petista falou em “negacionismo fiscal” e citou rombo de R$ 200 bi herdado de Guedes; governador rebateu
Antonio Souza, Sofia Pilagallo
Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) transformaram as contas públicas no principal palco do último debate da campanha ao Governo de São Paulo, realizado nesta terça-feira (29) pela TV Globo.
O petista classificou como “negacionismo fiscal” negar o excesso de gastos provocado pelo próprio governador e afirmou ter herdado do governo Jair Bolsonaro um déficit de quase R$ 200 bilhões, atribuído ao então ministro da Economia, Paulo Guedes.
Tarcísio, por sua vez, cobrou ajuste fiscal e ligou a situação de empresas como Casas Bahia, Tok&Stok e Marabraz ao cenário econômico nacional.
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O encontro durou duas horas, foi mediado pelo jornalista Alan Severiano e dividido em quatro blocos: dois de temas definidos e dois livres, com 20 minutos cada.
A legislação eleitoral restringiu a presença aos candidatos de partidos com ao menos cinco parlamentares no Congresso, o que deixou os dois favoritos frente a frente.
Segurança Pública: CV e Operação Vectura Corrupta
O primeiro bloco foi dominado pela segurança pública, principal bandeira de Tarcísio. Haddad cobrou que o governador admita a presença do Comando Vermelho (CV) em regiões como Piracicaba e Praia Grande, tema sobre o qual o adversário evitou resposta direta, e fez o ataque mais duro da noite ao lembrar que Tarcísio pediu voto para os filhos de Milton Leite, preso dias depois na Operação Vectura Corrupta, que investiga a ligação do PCC com o transporte coletivo da capital.
O governador evitou resposta direta, agradeceu a Deus e apoiadores, citou queda de homicídios, latrocínio e roubo de cargas, extradição de dois foragidos do PCC da Bolívia e o fim da Cracolândia.
Saúde: fila de cirurgias e Tabela SUS Paulista
No mesmo bloco, Haddad citou aumento de 300% na fila de cirurgias, segundo o Tribunal de Contas da União, e criticou a regulação estadual, prometendo reformulá-la com tecnologia. Tarcísio rebateu com entregas no Litoral e a Tabela SUS Paulista, que, segundo ele, dobrou o número de cirurgias no Estado.
O embate ganhou tom nacional: Haddad evocou a gestão da pandemia no governo Bolsonaro, e Tarcísio devolveu com a avaliação negativa da saúde na gestão do petista à frente da Prefeitura de São Paulo.
A briga fiscal: “negacionismo fiscal” e o rombo de R$ 200 bilhões
Foi no segundo bloco que o debate esquentou de vez. Tarcísio questionou a política fiscal do governo Lula e afirmou que negar o excesso de gastos seria “negacionismo fiscal”. Haddad, que comandou a Fazenda no terceiro mandato de Lula, respondeu que recebeu uma situação fiscal deteriorada de Bolsonaro e Guedes:
“Você sabe qual foi o déficit que o Guedes deixou para eu pagar no primeiro ano do governo Lula? Quase R$ 200 bilhões. R$ 30 bilhões foram para pagar os governadores. Você esteve na minha sala, em fevereiro de 2023, cobrando o calote que o Bolsonaro deu no Doria, e eu paguei.”
O petista também lembrou que o governo federal negociou a compensação de R$ 26,9 bilhões pelas perdas de ICMS com os estados antes de decisão definitiva do STF, e destacou medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
Incentivos fiscais: a “caixa-preta” do “Bolsa Empresário”
Ainda no bloco econômico, Haddad citou apontamentos do Tribunal de Contas do Estado e acusou a gestão Tarcísio de manter uma “caixa-preta” sobre quais empresas recebem incentivos fiscais. “O ‘Bolsa Empresário’ é um segredo seu, que você não conta para ninguém”, disse o petista, que prometeu transparência total caso eleito.
Tarcísio negou e afirmou que uma comissão revisou os benefícios um a um, reduzindo em cerca de 30% as concessões no Estado.
Mães atípicas: acolhimento x falta de profissionais
No terceiro bloco, Tarcísio prometeu casas de acolhimento para mães atípicas, ampliação de centros especializados e redução da jornada de servidoras nessa situação em um eventual segundo mandato.
Haddad criticou o atendimento da rede estadual, dizendo ter ouvido relatos de falta de profissionais especializados nas escolas. O governador acusou o adversário de informação falsa e citou a contratação de profissionais de apoio e a criação de salas sensoriais.
Infraestrutura e educação: obras, PAC e o duelo do Selo Ouro
Ainda no terceiro bloco, a pauta virou para infraestrutura e mobilidade urbana, com os candidatos disputando a autoria dos investimentos no Estado. Tarcísio enfileirou obras como o Rodoanel Norte e as linhas 6 e 17 do metrô para sustentar que sua gestão destravou projetos paralisados, enquanto Haddad atribuiu o avanço aos recursos do Novo PAC e à renegociação da dívida estadual no governo Lula, que teria rendido R$ 12 bilhões anuais de alívio fiscal.
A divergência produziu a ironia mais lembrada do bloco, quando o governador comparou os repasses federais a agradecer ao Santander pelo financiamento de uma geladeira.
Na educação, o duelo de indicadores rendeu o momento mais inusitado da noite: Tarcísio citou o Selo Ouro do Ministério da Educação para seu programa de alfabetização, e Haddad disse desconhecer o prêmio, preferindo destacar a queda de São Paulo no Ideb do ensino médio.
O governador rebateu com a posição do Estado no Pisa e admitiu que a meta de escolas em tempo integral ficou aquém do prometido em 2022. O bloco terminou com o retorno das privatizações ao centro do debate.
Haddad acusou a gestão de onerar os cofres públicos para beneficiar empresários aliados, citando falhas nas linhas concedidas da CPTM, e Tarcísio defendeu o programa de desestatização como passo estrutural para a modernização do Estado, pedindo paciência dos eleitores para colher resultados no longo prazo.
Sabesp e crise hídrica: o “pesadelo” pós-privatização
No último bloco, a pauta ambiental e a crise hídrica devolveram a Sabesp ao centro do ringue. Haddad classificou a situação pós-privatização como “pesadelo”: “O que a Sabesp pedia para os moradores da Baixada? Não tomarem água. Está faltando água no centro de São Paulo, em bairros que já eram atendidos.
A promessa que você fez em 2022 de que a privatização reduziria a conta de água, nós estamos vendo uma coisa completamente diferente.
O petista também acusou a base bolsonarista de negacionismo científico, ligando a postura antivacina à recusa em reconhecer a gravidade das mudanças climáticas, o que, segundo ele, refletiu no despreparo do Estado nos incêndios de 2024.
Haddad e Tarcísio trocam acusações sobre contas públicasNo último debate ao Governo de SP na TV Globo, petista falou em “negacionismo fiscal” e citou rombo de R$ 200 bi herdado de Guedes; governador rebateuEleições2026-09-30T03:34:28.404ZFernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) transformaram as contas públicas no principal palco do último debate da campanha ao Governo de São Paulo, realizado nesta terça-feira (29) pela TV Globo. O petista classificou como “negacionismo fiscal” negar o excesso de gastos provocado pelo próprio governador e afirmou ter herdado do governo Jair Bolsonaro um déficit de quase R$ 200 bilhões, atribuído ao então ministro da Economia, Paulo Guedes. Tarcísio, por sua vez, cobrou ajuste fiscal e ligou a situação de empresas como Casas Bahia, Tok&Stok e Marabraz ao cenário econômico nacional. O encontro durou duas horas, foi mediado pelo jornalista Alan Severiano e dividido em quatro blocos: dois de temas definidos e dois livres, com 20 minutos cada. A legislação eleitoral restringiu a presença aos candidatos de partidos com ao menos cinco parlamentares no Congresso, o que deixou os dois favoritos frente a frente. Segurança Pública: CV e Operação Vectura Corrupta O primeiro bloco foi dominado pela segurança pública, principal bandeira de Tarcísio. Haddad cobrou que o governador admita a presença do Comando Vermelho (CV) em regiões como Piracicaba e Praia Grande, tema sobre o qual o adversário evitou resposta direta, e fez o ataque mais duro da noite ao lembrar que Tarcísio pediu voto para os filhos de Milton Leite, preso dias depois na Operação Vectura Corrupta, que investiga a ligação do PCC com o transporte coletivo da capital. O governador evitou resposta direta, agradeceu a Deus e apoiadores, citou queda de homicídios, latrocínio e roubo de cargas, extradição de dois foragidos do PCC da Bolívia e o fim da Cracolândia. Saúde: fila de cirurgias e Tabela SUS Paulista No mesmo bloco, Haddad citou aumento de 300% na fila de cirurgias, segundo o Tribunal de Contas da União, e criticou a regulação estadual, prometendo reformulá-la com tecnologia. Tarcísio rebateu com entregas no Litoral e a Tabela SUS Paulista, que, segundo ele, dobrou o número de cirurgias no Estado. O embate ganhou tom nacional: Haddad evocou a gestão da pandemia no governo Bolsonaro, e Tarcísio devolveu com a avaliação negativa da saúde na gestão do petista à frente da Prefeitura de São Paulo. A briga fiscal: “negacionismo fiscal” e o rombo de R$ 200 bilhões Foi no segundo bloco que o debate esquentou de vez. Tarcísio questionou a política fiscal do governo Lula e afirmou que negar o excesso de gastos seria “negacionismo fiscal”. Haddad, que comandou a Fazenda no terceiro mandato de Lula, respondeu que recebeu uma situação fiscal deteriorada de Bolsonaro e Guedes: “Você sabe qual foi o déficit que o Guedes deixou para eu pagar no primeiro ano do governo Lula? Quase R$ 200 bilhões. R$ 30 bilhões foram para pagar os governadores. Você esteve na minha sala, em fevereiro de 2023, cobrando o calote que o Bolsonaro deu no Doria, e eu paguei.” O petista também lembrou que o governo federal negociou a compensação de R$ 26,9 bilhões pelas perdas de ICMS com os estados antes de decisão definitiva do STF, e destacou medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Incentivos fiscais: a “caixa-preta” do “Bolsa Empresário” Ainda no bloco econômico, Haddad citou apontamentos do Tribunal de Contas do Estado e acusou a gestão Tarcísio de manter uma “caixa-preta” sobre quais empresas recebem incentivos fiscais. “O ‘Bolsa Empresário’ é um segredo seu, que você não conta para ninguém”, disse o petista, que prometeu transparência total caso eleito. Tarcísio negou e afirmou que uma comissão revisou os benefícios um a um, reduzindo em cerca de 30% as concessões no Estado. Mães atípicas: acolhimento x falta de profissionais No terceiro bloco, Tarcísio prometeu casas de acolhimento para mães atípicas, ampliação de centros especializados e redução da jornada de servidoras nessa situação em um eventual segundo mandato. Haddad criticou o atendimento da rede estadual, dizendo ter ouvido relatos de falta de profissionais especializados nas escolas. O governador acusou o adversário de informação falsa e citou a contratação de profissionais de apoio e a criação de salas sensoriais. Infraestrutura e educação: obras, PAC e o duelo do Selo Ouro Ainda no terceiro bloco, a pauta virou para infraestrutura e mobilidade urbana, com os candidatos disputando a autoria dos investimentos no Estado. Tarcísio enfileirou obras como o Rodoanel Norte e as linhas 6 e 17 do metrô para sustentar que sua gestão destravou projetos paralisados, enquanto Haddad atribuiu o avanço aos recursos do Novo PAC e à renegociação da dívida estadual no governo Lula, que teria rendido R$ 12 bilhões anuais de alívio fiscal. A divergência produziu a ironia mais lembrada do bloco, quando o governador comparou os repasses federais a agradecer ao Santander pelo financiamento de uma geladeira. Na educação, o duelo de indicadores rendeu o momento mais inusitado da noite: Tarcísio citou o Selo Ouro do Ministério da Educação para seu programa de alfabetização, e Haddad disse desconhecer o prêmio, preferindo destacar a queda de São Paulo no Ideb do ensino médio. O governador rebateu com a posição do Estado no Pisa e admitiu que a meta de escolas em tempo integral ficou aquém do prometido em 2022. O bloco terminou com o retorno das privatizações ao centro do debate. Haddad acusou a gestão de onerar os cofres públicos para beneficiar empresários aliados, citando falhas nas linhas concedidas da CPTM, e Tarcísio defendeu o programa de desestatização como passo estrutural para a modernização do Estado, pedindo paciência dos eleitores para colher resultados no longo prazo. Sabesp e crise hídrica: o “pesadelo” pós-privatização No último bloco, a pauta ambiental e a crise hídrica devolveram a Sabesp ao centro do ringue. Haddad classificou a situação pós-privatização como “pesadelo”: “O que a Sabesp pedia para os moradores da Baixada? Não tomarem água. Está faltando água no centro de São Paulo, em bairros que já eram atendidos. A promessa que você fez em 2022 de que a privatização reduziria a conta de água, nós estamos vendo uma coisa completamente diferente. O petista também acusou a base bolsonarista de negacionismo científico, ligando a postura antivacina à recusa em reconhecer a gravidade das mudanças climáticas, o que, segundo ele, refletiu no despreparo do Estado nos incêndios de 2024. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/haddad-e-tarcisio-trocam-acusacoes-sobre-contas-publicas
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