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França confirma primeiro caso de ebola no país

Paciente é um médico que retornou de uma missão humanitária na República Democrática do Congo; tratamento ocorre em isolamento

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Camila Stucaluc
Ebola é causada por uma infecção por um ortoebolavírus | Reprodução/ CDC US

Ebola é causada por uma infecção por um ortoebolavírus | Reprodução/ CDC US

O Ministério da Saúde da França confirmou nesta quarta-feira (24) o primeiro caso de ebola no país. Segundo as autoridades, trata-se de um médico que retornou recentemente de uma missão humanitária na República Democrática do Congo, onde há um surto da doença.

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“Todas as medidas de precaução, e em particular o isolamento do paciente, foram tomadas assim que ele chegou ao território nacional. O paciente foi atendido em uma instalação especializada e encontra-se em condição estável. Ele está sendo tratado de acordo com rigorosos protocolos de biossegurança”, disse o ministério.

A pasta informou ainda que abriu uma investigação epidemiológica para identificar possíveis contatos com o infectado. Essas pessoas deverão cumprir 21 dias de isolamento domiciliar com monitoramento contínuo pelas autoridades regionais de saúde.

O novo surto de ebola acontece em decorrência da variante Bundibugyo, cepa rara da doença para a qual ainda não há vacina aprovada. Até o momento, a República Democrática do Congo soma 1.003 casos confirmados da doença, sobretudo nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri, além de 254 mortes.

O cenário é tratado como emergência de saúde pública de importância internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade alerta que a desconfiança da população aliada à violência armada, que aumenta os deslocamentos, atrapalham as ações emergenciais, deixando o país mais vulnerável para a doença.

“Isso está atrapalhando seriamente os esforços para ampliar o rastreamento de contatos do Ebola e identificar infecções cedo o suficiente para oferecer cuidados de apoio”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.

Além da República Democrática do Congo, 20 infecções e duas mortes por ebola foram registradas em Uganda. O surto, contudo, permanece epidemiologicamente ligado à transmissão originada na RD do Congo, com evidências tanto de infecções importadas quanto de transmissão secundária entre contatos e profissionais de saúde.

O que é ebola?

Descoberto em 1976, o agente do ebola é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus. Acredita-se que o vírus foi transmitido para seres humanos a partir de contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinho.

Até o momento, foram descritas cinco subespécies de vírus Ebola, sendo que quatro delas afetam humanos e uma delas, apenas primatas não humanos: vírus Ebola (Zaire Ebolavirus); vírus Sudão (Sudão Ebolavirus); vírus Taï Forest (Tai Forest Ebolavirus), vírus Bundibugyo (Bundibugyo Ebolavirus) e vírus Reston (Reston Ebolavirus) — este último afetando somente animais.

A transmissão acontece por meio do contato com sangue, tecidos ou fluidos corporais de animais e indivíduos infectados (incluindo cadáveres), ou a partir do contato com superfícies e objetos contaminados.

Em relação aos sintomas, são observados febre, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, inapetência, odinofagia e manifestações hemorrágicas. O período de incubação da doença pode variar de 2 a 21 dias, com média de 5 a 10 dias para a maior parte dos casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ebola é uma doença grave, com taxa de letalidade que pode chegar até os 90%.

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