EUA vão enviar drones à América do Sul, diz TV
Departamento de Guerra decide transferir equipamentos para o continente americano após classificar facções como organizações terroristas

Donald Trump | Reuters/Evan Vucci
O governo dos Estados Unidos vai enviar à América do Sul drones MQ-9 Reaper, especializados em missões de vigilância, reconhecimento e ataque de precisão. A informação foi divulgada pela TV CNN Internacional nesta sexta-feira (18).
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De acordo com seis fontes anônimas ouvidas pelo veículo norte-americano, os equipamentos atualmente se encontram na África, mas serão transferidos para o Comando Sul dos Estados Unidos, unidade responsável por operações de segurança e defesa na América do Sul, América Central e Caribe.
Segundo a CNN Internacional, ainda não está claro a quantidade de drones que vai ser encaminhada à região. Uma das fontes familiarizadas com o assunto afirmou que seria a "maioria". Outra fonte disse que Washington cogita enviar parte desses veículos aéreos não tripulados para o Oriente Médio, já que suas Forças Armadas perderam equipamentos na guerra contra o Irã, inclusive drones de modelo MQ-9.
O Pentágono não se manifestou sobre a informação.
Desde o ano passado, o governo dos Estados Unidos vem aumentando sua presença militar na América Latina, transferindo equipamentos para a região e realizando ataques navais contra embarcações suspeitas de narcotráfico no Oceano Pacífico e no Caribe.
Países como Equador, Guatemala e Honduras aceitaram propostas da Casa Branca para realizar operações militares conjuntas com o objetivo combater cartéis de drogas. Em agosto, o secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, afirmou que as Forças Armadas de seu país vão atacar os cartéis de drogas com as mesmas táticas utilizadas contra grupos terroristas, como Estado Islâmico e Al-Qaeda.
Risco interferência no Brasil
Em maio, as duas maiores facções criminosas do Brasil, PCC e Comando Vermelho, passaram a ser classificadas como organizações terroristas por Washington. Nesta semana, o presidente americano, Donald Trump, acusou o governo brasileiro de "não fazer o suficiente" para combater esses grupos.
Na quarta-feira (17), o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou uma nota negando que o Brasil falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional.
Em julho, o Itamaraty já havia afirmado que via risco de que os Estados Unidos usem sua força militar no território brasileiro tendo como justificativa o combate ao PCC e ao Comando Vermelho. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou a classificação dessas facções como grupos terroristas.
“A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional. O governo brasileiro tem reiterado sua posição de que tal classificação não traz benefícios concretos ao combate ao crime organizado”, dizia a nota.
O combate ao narcoterrorismo foi a principal justificativa utilizada por Washington para realizar o ataque contra a Venezuela em janeiro, que resultou na captura do então líder do país, Nicolás Maduro. Atualmente, ele está preso nos em Nova York, onde responde por acusações como conspiração de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína aos Estados Unidos.














