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Putin busca validar guerra em eleição parlamentar

Votação iniciada nesta sexta-feira é marcada por exclusão de partido crítico à guerra e suspeitas de fraude

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André de Sena, com informações da Reuters
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em discurso | Kristina Kormilitsyna (”Rossiya Segodnya“)

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em discurso | Kristina Kormilitsyna (”Rossiya Segodnya“)

As eleições parlamentares da Rússia começaram nesta sexta-feira (18). Através da votação, que será encerrada no domingo (20) o presidente russo, Vladimir Putin, busca mostrar que a população apoia a guerra contra a Ucrânia, que já dura há quatro anos e seis meses.

Essa é a primeira eleição parlamentar desde que o conflito teve início, em fevereiro de 2022. A expectativa é de que o partido Rússia Unida, pró-Putin, mantenha sua dominância no sistema político russo.

Com a confirmação desse resultado, o Kremlin deve aproveitá-lo para demonstrar que suas políticas têm amplo apoio popular, inclusive a condução do conflito mais sangrento conflito a ocorrer na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

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"A sua escolha e a sua vontade demonstrarão, mais uma vez, que milhões de pessoas apoiam os nossos soldados, que somos um povo unido por valores comuns, memória histórica e amor pela nossa pátria, e que ninguém conseguirá dividir-nos ou intimidar-nos", declarou Putin em um discurso televisionado antes da votação.

As última eleição parlamentar, realizada em 2021, foi marcada por denúncias de fraude. Nessa sexta-feira (18), um eleitor que não quis se identificar disse à agência de notícias Reuters que os resultados são fáceis de serem fraudados e levantou dúvidas sobre o sistema de votação eletrônica utilizado em algumas partes do país. A comissão eleitoral rejeita todas essas alegações, que classifica como falsas.

Exclusão de partido contrário à guerra

O Yabloko, único partido contrário à guerra, foi proibido pela Suprema Corte de disputar as eleições. A Justiça entendeu que a legenda teria recebido apoio financeiro não declarado para a campanha de 2026, inclusive de fontes estrangeiras. Mesmo assim, alguns de seus candidatos conseguiram disputar o pleito em distritos individuais, ou seja, representando uma região geográfica delimitada, e não concorrendo lista geral do partido.

No período que antecedeu a votação, Lev Shlosberg, uma figura de destaque dentro do partido, foi condenado a 11 anos de prisão por espalhar "informações falsas" após fazer comentários críticos à guerra. Outro importante nome do Yabloko, Maxim Kruglov, foi condenado a sete anos de prisão por acusações semelhantes em junho.

Opinião pública

A eleição parlamentar ocorre em um momento no qual a opinião pública russa demonstra mais preocupação em relação à guerra. Algumas pesquisas mostram que o apoio da população às negociações de paz subiu para mais de 60%. O Kremlin afirmou repetidamente estar pronto para retomar essas negociações.

Votação nas eleições parlamentares da Rússia em Moscou | Anastasia Barashkova/Reuters
Votação nas eleições parlamentares da Rússia em Moscou | Anastasia Barashkova/Reuters

A economia também dá sinais de enfraquecimento: ataques de drones ucranianos contra refinarias de petróleo causam uma escassez de combustível e energia. O quadro é agravado por altas taxas de juros, falta de mão de obra e sanções ocidentais.

Os resultados parciais da votação devem começar a ser publicados no domingo, às 21h do horário local (15h em Brasília). A apuração completa deve demorar pelo menos até segunda-feira (20).

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