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Justiça russa exclui único partido contrário à guerra

Suprema Corte proíbe Yabloko de disputar as eleições parlamentares que serão realizadas em setembro; presidente da legenda diz que vai recorrer da decisão

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André de Sena, com informações da Reuters
O presidente do partido político russo Yabloko, Nikolai Rybakov, com advogados durante audiência no Suprema Corte em Moscou | REUTERS/Yulia Morozova

O presidente do partido político russo Yabloko, Nikolai Rybakov, com advogados durante audiência no Suprema Corte em Moscou | REUTERS/Yulia Morozova

A Suprema Corte da Rússia decidiu nesta segunda-feira (10) que o Yabloko, único partido registrado que se opõe à guerra contra a Ucrânia, está impedido de disputar as eleições parlamentares que serão realizadas em setembro. A decisão restringe ainda mais o espaço já limitado para dissidência política no país.

O julgamento ocorreu no âmbito de uma ação movida pelo Rodina, um pequeno partido pró-Krelim que pediu a exclusão do Yabloko do processo eleitoral para escolher os representantes da Duma Federal, a câmara baixa do parlamento russo. O argumento era de que a legenda rival teria recebido apoio financeiro não declarado para a campanha de 2026, inclusive de fontes estrangeiras.

O partido nega que tenha recebido qualquer financiamento do tipo. Na audiência, que durou o dia todo, o presidente da sigla, Nikolai Rybakov, afirmou que não existem provas para sustentar a acusação e descreveu o caso como um ataque inconstitucional à liberdade de pensamento, perpetrado por agentes políticos que buscam eliminar seus rivais.

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Ele também prometeu recorrer da decisão. “Excluir o Yabloko da eleição significa recusar o diálogo com pessoas que fazem perguntas incômodas para as autoridades”, argumentou.

Em uma rara atitude de desafio contra o Kremlim, algumas centenas de apoiadores do Yabloko, que significa "maçã" em russo, se reuniram do lado de fora do tribunal, mesmo com a polícia de prontidão. "Achamos essencial mostrar que somos muitos, que estamos unidos em nosso apoio a este partido, porque todos queremos a paz", disse a apoiadora Yevgeniya.

No período imediatamente posterior à queda da União Soviética, o Yabloko era considerado uma das principais forças liberais da Rússia. No entanto, atualmente a sigla conta com apenas alguns assentos em alguns parlamentos regionais, mas nenhum no legislativo federal, dominado pelo partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, que também conta com o apoio de outras legendas favoráveis à guerra contra a Ucrânia.

Apoio à guerra diminui

A decisão de excluir o Yaklobo das eleições ocorre em um momento politicamente delicado para o Krelim, no qual o conflito com Kiev, que já dura mais de quatro anos, é cada vez mais sentido pela população russa. Drones ucranianos de longo alcance têm atingido alvos de infraestrutura energética, industrial e até mesmo civil, como no ataque à cidade de Nizhnekamsk, que deixou 13 mortos e 39 feridos nesta segunda-feira.

Diante desse cenário, o contentamento da população à guerra vem diminuindo. Segundo pesquisa do Levada Center, instituto não governamental que consta na lista de agentes estrangeiros do governo de Moscou, a porcentagem de russos que afirmam apoiar as ações de suas Forças Armadas na Ucrânia caiu para 66% em julho, nível mais baixo desde o início do conflito, em fevereiro de 2022.

Apesar do revés na Justiça, o Yabloko encara o processo como uma oportunidade de colocar mais em evidência as críticas à postura do governo russo em relação à guerra. “É óbvio que a demanda por paz e liberdade se mostrou significativamente mais forte hoje do que as autoridades haviam previsto”, afirmou Rybakov.

O caso do Yabloko não é isolado. Em julho, o político Boris Nadezhdin, que também tentou concorrer a uma vaga no parlamento com uma plataforma antiguerra, foi designado como "agente estrangeiro". Na semana passada, ele anunciou que está exilado em Paris.

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