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Em carta ao Congresso, Trump diz que conflito contra o Irã pode ser prolongado

Presidente norte-americano afirmou que ordenou ataques para 'neutralizar atividades malignas' do regime iraniano

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Camila Stucaluc
04/03/2026, 06:22 • Atualizado em 04/03/2026, 06:22
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encaminhou ao Congresso uma carta detalhando a operação coordenada com Israel contra o Irã — iniciada em 28 de fevereiro. No documento, obtido pelo SBT News, o republico afirma que ainda não é possível determinar a duração ou extensão do conflito.

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“Embora os Estados Unidos desejem uma paz rápida e duradoura, não é possível neste momento conhecer a dimensão completa e a duração das operações militares que podem ser necessárias. Assim, as forças dos Estados Unidos permanecem posicionadas para tomar novas medidas, conforme necessário e apropriado, para enfrentar ameaças e ataques adicionais”, diz o texto.

Na carta, Trump volta a repetir que agiu para fortalecer a posição norte-americana no Oriente Médio em resposta às ameaças iranianas. Ele reforça que a operação visa destruir o estoque de mísseis de Teerã, bem como o programa nuclear do país.

“Determinei essa ação militar em conformidade com minha responsabilidade de proteger os norte-americanos e os interesses dos Estados Unidos. Nenhuma força terrestre dos Estados Unidos foi utilizada nesses ataques, e a missão foi planejada e executada de maneira projetada para minimizar vítimas civis, dissuadir ataques futuros e neutralizar as atividades malignas do Irã”, afirma.

A carta foi enviada por Trump na segunda-feira (2), dois dias após o início dos ataques contra o Irã. Na noite de terça-feira (3), os parlamentares participaram de reuniões sobre o tema no Congresso, onde a maioria dos republicanos se mostrou favorável à operação militar. Grande parte dos democratas, por outro lado, criticou a decisão.

O senador democrata Cory Booker, por exemplo, concordou com as falas de Trump de que o regime iraniano é uma das forças mais perigosas e desestabilizadas do Oriente Médio. Ele refutou, contudo, a tese de que os ataques eram necessários para eliminar possíveis ameaças, afirmando que o presidente agiu sem aval do Congresso.

Isso porque, pela Constituição norte-americana, embora o presidente tenha ampla autoridade para iniciar ações militares sem uma declaração formal de guerra, o Congresso, por lei, deve ser notificado em até 48 horas após o início das hostilidades.

“Nenhum desses fatos suspende nossa Constituição ou confere a qualquer presidente a autoridade para declarar guerra unilateralmente”, disse. “Ele [Trump] levou nossa nação a um grande confronto militar com a intenção declarada de mudança de regime e, ao fazê-lo, colocou nossas tropas, nossos diplomatas e nossos parceiros regionais em grave risco, enquanto arrasta os Estados Unidos para outro conflito custoso e prolongado no Oriente Médio”, disse Booker.

O republicano Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, por sua vez, afirmou que a administração Trump notificou o chamado grupo dos oito – grupo bipartidário de líderes do Congresso – antes dos ataques contra o Irã.

“A crescente agressão do Irã e o rápido desenvolvimento de mísseis balísticos apresentavam uma ameaça clara e iminente que exigia ação decisiva. O Presidente agiu plenamente dentro de sua autoridade perante a lei e em conformidade com o precedente estabelecido pelos presidentes nas últimas quatro décadas. Esforços agora para restringir o Comandante em Chefe de completar essa missão limitada, porém crucial, seriam tanto perigosos quanto irresponsáveis”, afirmou o republicano.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

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