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Efeito estufa bate recorde e ONU alerta para riscos extremos

Relatório mostra aumento nas concentrações de gases e alerta que cenário pode agravar eventos climáticos extremos

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Murillo Otavio
Relatório ONU - Reprodução/ONU

Relatório ONU - Reprodução/ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório preocupante sobre o aquecimento global e suas consequências para o ecossistema. Nesta terça-feira (27), o órgão informou que as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera atingiram novos recordes em 2025, aumentando a quantidade de calor retida no planeta e contribuindo para a intensificação das mudanças climáticas.

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De acordo com o relatório, a concentração média global de dióxido de carbono (CO₂), principal gás responsável pelo aquecimento global causado pelas atividades humanas, chegou a 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025, o equivalente a 153% do nível registrado na era pré-industrial, em 1750.

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“Podemos esperar um aumento ainda maior nas concentrações em 2026 devido à queima de combustíveis fósseis e ao desenvolvimento de um El Niño intenso, que impactará os sumidouros de carbono terrestres, como ocorreu em 2023/2024. Os riscos da redução da absorção de CO₂ pelo oceano também estão aumentando em nosso clima em transformação”, afirmou Oksana Tarasova, oficial científica sênior que assina o relatório.

Em comparação com 2024, a concentração de CO₂ aumentou 2,8 ppm. Embora o crescimento tenha sido menor do que o registrado no ano anterior, o volume continua acima da média observada nas últimas décadas.

🔍Os gases de efeito estufa são substâncias, como o dióxido de carbono (CO₂) e o metano (CH₄), que retêm parte do calor na atmosfera. Embora sejam naturais e essenciais para manter a temperatura da Terra, o excesso desses gases, causado principalmente por atividades humanas, intensifica o aquecimento global. Reduzir suas emissões é fundamental para frear as mudanças climáticas e diminuir a frequência e a intensidade de eventos extremos.

"Mais um ano, mais um novo recorde. Os gases de efeito estufa estão retendo uma quantidade sem precedentes de calor na atmosfera, fornecendo energia para fenômenos meteorológicos mais extremos e aumentando os riscos para nossas economias e sociedades", afirmou a vice-secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Ko Barrett.

Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, e essa tendência deve continuar. O CO₂ permanece na atmosfera por muito tempo e, por isso, afetará o clima global não apenas durante anos, mas por décadas e até séculos, ainda de acordo com o relatório.

Segundo a OMM, o crescimento mais moderado da concentração de CO₂ entre 2024 e 2025 está relacionado à recuperação da capacidade de absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres e à redução das emissões provocadas por incêndios florestais.

Nos dois anos anteriores, o fenômeno El Niño havia contribuído para condições mais secas, prejudicando a vegetação e favorecendo a ocorrência de incêndios. A agência alerta ainda que as mudanças climáticas podem reduzir a capacidade dos oceanos de absorver CO₂, fazendo com que uma parcela maior das emissões permaneça na atmosfera.

O que é El Niño

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo. Quando é intenso, pode provocar secas prolongadas, ondas de calor e chuvas extremas.

A previsão é que o El Niño seja muito intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027, devido ao aquecimento persistente das águas do Pacífico Equatorial.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), há 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no último trimestre de 2026.

O Brasil está entre os países vulneráveis aos efeitos do fenômeno, devido à extensão territorial e às diferenças climáticas regionais. A combinação de secas, calor extremo e chuvas intensas pode afetar o abastecimento de água, a agricultura e a população.

Outros gases

O relatório também aponta que as concentrações dos outros dois principais gases de efeito estufa de longa duração, o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), alcançaram níveis sem precedentes.

O metano atingiu uma concentração média global de 1.948 partes por bilhão (ppb) em 2025, equivalente a 267% do nível pré-industrial. Isso representa um aumento de 167% em relação a 1750.

O gás responde por aproximadamente 16% do efeito de aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa de longa duração.

Criação de gado

Cerca de 65% das emissões de metano têm origem em atividades humanas, como a criação de gado, o cultivo de arroz, a exploração de combustíveis fósseis, os aterros sanitários e a queima de vegetação. Os outros 35% vêm de fontes naturais, como áreas alagadas.

Já o óxido nitroso, terceiro principal gás de efeito estufa de longa duração, alcançou uma concentração média de 339,1 ppb em 2025, equivalente a 126% do nível de 1750, ou 26% acima do registrado naquele período.

O gás é liberado tanto por processos naturais quanto por atividades humanas, principalmente pelo uso de fertilizantes na agricultura, pela queima de vegetação e por determinados processos industriais.

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