Economia

Mercado apostava na vitória de Flávio, diz Durigan

Ministro da Fazenda atribui disparada do dólar e queda da Bolsa à reversão de apostas de investidores após a reeleição de Lula no domingo (25)

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Caio Barcellos
Dario Durigan explica que mercado apostava na vitória de Flávio | Divulgação/Diogo Zacarias/MF

Dario Durigan explica que mercado apostava na vitória de Flávio | Divulgação/Diogo Zacarias/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (27) que a forte reação negativa do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorreu porque investidores haviam apostado na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

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Segundo ele, a necessidade de desfazer posições financeiras após o resultado das urnas provocou a disparada do dólar, a queda da Bolsa e a alta dos juros futuros na segunda-feira.

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🔎Posições financeiras são investimentos e operações realizados com base em expectativas sobre o comportamento de ativos, como dólar, ações e títulos públicos. Quando essas expectativas mudam, os investidores podem vender ou comprar ativos para reorganizar suas aplicações, provocando oscilações nos preços

A declaração foi dada durante entrevista coletiva no Ministério, após ser questionado se a turbulência demonstrava desconfiança dos investidores em relação à condução das contas públicas.

"Não acho que seja isso, de novo, porque é uma questão de posição. O mercado estava apostando numa vitória eleitoral", afirmou Durigan.

Dólar teve maior alta diária desde 1999

No primeiro pregão após o resultado eleitoral, o dólar comercial disparou 8,21%, encerrando a segunda-feira a R$ 5,40. Foi a maior valorização diária da moeda norte-americana desde janeiro de 1999.

Durante as negociações, a cotação chegou a ultrapassar R$ 5,60, antes de reduzir parte dos ganhos.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, terminou o dia em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, no pior desempenho diário desde março de 2020.

A intensidade das perdas levou a B3 a interromper temporariamente as negociações por meio do mecanismo conhecido como circuit breaker, acionado quando o índice registra quedas acentuadas.

Os juros futuros também dispararam, refletindo a revisão das expectativas dos investidores sobre o comportamento da inflação, das contas públicas e da taxa básica de juros nos próximos anos.

Parte dos agentes financeiros esperava uma mudança na orientação da política econômica caso Flávio Bolsonaro vencesse as eleições. Com a confirmação do quarto mandato de Lula, investidores passaram a rever suas posições.

Durigan rejeita deterioração

Durigan também afirmou que o governo acompanhou a reação desde as primeiras horas da segunda-feira e manteve conversas com representantes do Banco Central (BC), do Tesouro Nacional e de instituições financeiras.

Segundo ele, a atuação buscou reduzir a volatilidade e restabelecer condições mais estáveis de negociação.

O ministro destacou que o dólar já apresentava recuo na manhã desta terça-feira e disse esperar uma acomodação das expectativas ao longo da semana.

A avaliação de Durigan, no entanto, contrasta com a preocupação de parte dos investidores em relação à política fiscal do próximo mandato.

A possibilidade de aumento de despesas e as dúvidas sobre a trajetória da dívida pública estiveram entre os fatores considerados pelos agentes financeiros durante a reação ao resultado eleitoral.

Em resposta, o governo prepara mudanças na legislação para reforçar a busca pelo centro da meta fiscal e promete anunciar novas medidas de ajuste após discussões com Lula.

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