Economia

Fazenda autoriza intervenção para conter reação do mercado

Governo recomprou cerca de R$ 10 bilhões em títulos públicos na segunda (26) para conter turbulência do mercado após vitória de Lula (PT)

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Caio Barcellos
Durigan confirmou possibilidade de novas recompras de títulos do Tesouro Nacional | Fotos: Tomaz Silva e Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Durigan confirmou possibilidade de novas recompras de títulos do Tesouro Nacional | Fotos: Tomaz Silva e Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (27) que autorizou o Tesouro Nacional a realizar novas recompras de títulos públicos para tentar conter a instabilidade do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O governo já havia recomprado aproximadamente R$ 10 bilhões em papéis na segunda-feira (26), quando o dólar registrou a maior alta diária em 27 anos e bolsa despencou quase 14%.

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"Hoje a gente pode, sim, ter nova recompra de títulos do Tesouro. Eu falei com o secretário do Tesouro [Rogério Ceron] hoje de manhã e disse para ele que eu autorizo, na medida em que tiverem colocadas as condições e as necessidades de fazer intervenção", afirmou em entrevista coletiva na sede do Ministério.

A declaração ocorre após um dos pregões mais turbulentos do mercado brasileiro nos últimos anos. Na véspera, o dólar comercial disparou 8,21%, encerrando o dia a R$ 5,40 -maior valorização percentual diária desde janeiro de 1999, quando foi adotado o câmbio flutuante.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, no pior desempenho diário desde março de 2020, quando os mercados reagiam ao início da pandemia de covid-19.

A intensidade das perdas levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando a Bolsa registra quedas acentuadas.

Os juros futuros também dispararam, refletindo a revisão das expectativas dos investidores para a economia brasileira.

Recompra de R$ 10 bilhões

Segundo Durigan, a atuação do Tesouro Nacional começou ainda pela manhã, com a recompra de aproximadamente R$ 7 bilhões em títulos prefixados. À tarde, houve uma segunda operação, de cerca de R$ 4 bilhões, envolvendo títulos indexados à inflação, conhecidos como NTN-B.

O ministro arredondou o total para aproximadamente R$ 10 bilhões e afirmou que os números definitivos seriam divulgados pelo Tesouro Nacional.

A recompra é um instrumento utilizado pelo governo para oferecer liquidez ao mercado de dívida pública em momentos de instabilidade. Na prática, o Tesouro adquire títulos de investidores que desejam vendê-los, reduzindo a pressão sobre os preços e ajudando a restabelecer as condições de negociação.

A medida não representa uma intervenção direta sobre a cotação do dólar, mas tem como objetivo principal amenizar distorções no mercado de títulos públicos, que também influencia as expectativas para os juros e o financiamento da dívida federal.

Durigan afirmou que a atuação ocorreu em coordenação com o Banco Central (BC), que acompanhou os movimentos do mercado desde as primeiras horas do pregão.

"Desde as primeiras horas, como a gente já tinha pactuado com a equipe do Banco Central, a gente acompanhou a reação do mercado", declarou.

Governo atribui turbulência à eleição

O ministro também contestou a avaliação de que a reação dos investidores representaria uma perda de confiança nos fundamentos econômicos do país.

Segundo ele, parte do mercado havia montado posições considerando uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno, e precisou desfazer essas operações depois da divulgação do resultado eleitoral.

Durigan classificou o movimento como uma mudança de posições financeiras, e não como consequência de uma deterioração imediata das condições econômicas.

O ministro destacou que o dólar já apresentava recuo na manhã desta terça-feira, em comparação com o fechamento da véspera, e demonstrou expectativa de redução da volatilidade ao longo da semana.

"Então, eu espero que hoje a gente mantenha o nível de racionalidade, eu não estou falando de nível de preço, não me compete falar disso, mas o nível de racionalidade, sem grandes oscilações, é minha expectativa", afirmou.

Apesar da avaliação, Durigan não descartou novas operações do Tesouro caso a instabilidade continue.

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