Economia

BC: consignado privado tem inadimplência maior que pessoal

Autarquia reconhece que modalidade ampliou o acesso a empréstimos mais baratos, mas aponta desafios operacionais que contribuem para o aumento da inadimplência

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Caio Barcellos
Crédito do Trabalhador registra inadimplência superior à do crédito pessoal sem garantia a partir do quinto mês, segundo o Banco Central | Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Crédito do Trabalhador registra inadimplência superior à do crédito pessoal sem garantia a partir do quinto mês, segundo o Banco Central | Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (27) que empréstimos concedidos pelo Crédito do Trabalhador, programa do governo federal que ampliou o acesso ao consignado privado, apresentam inadimplência superior à de operações de crédito pessoal sem garantia a partir do quinto mês após a contratação.

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A constatação chama a atenção porque o consignado é considerado uma modalidade de menor risco, uma vez que as prestações são descontadas diretamente do salário do trabalhador. Esse mecanismo normalmente possibilita que os bancos ofereçam taxas de juros inferiores às de empréstimos pessoais convencionais.

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“A expansão do novo modelo foi acompanhada pela entrada de tomadores com perfil de risco de crédito mais elevado [...] Em conjunto, esses indicadores sugerem ampliação da participação de trabalhadores com histórico de crédito mais vulnerável entre os tomadores da modalidade”, avalia o BC no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do primeiro semestre de 2026.

O BC identificou que parte relevante dos atrasos ocorreu entre trabalhadores que continuavam empregados ou haviam retornado ao mercado formal após um desligamento. Como o desconto em folha deveria funcionar nessas situações, a autoridade monetária considera que dificuldades operacionais podem estar contribuindo para a inadimplência.

Um exercício realizado pelo BC aponta que, desconsideradas essas ocorrências, a taxa média de inadimplência seria de aproximadamente 3,1%, significativamente inferior aos cerca de 7,5% observados na carteira total analisada.

Poucos recursos são utilizados para quitar dívidas

A autarquia de Gabriel Galípolo também identificou que os trabalhadores têm utilizado pouco o consignado privado para substituir empréstimos com juros mais elevados.

Embora o programa não tenha sido criado exclusivamente para quitar dívidas anteriores, uma de suas vantagens é permitir que o consumidor troque um financiamento mais caro por outro com taxas menores.

Contudo, o levantamento mostra que meros 7,6% do dinheiro contratado foi destinado, em média, ao pagamento de outras dívidas bancárias mais caras. O BC também constatou que os indicadores de inadimplência só apresentaram melhora entre os trabalhadores que utilizaram mais de 80% do novo empréstimo para essa finalidade -grupo que representa cerca de 14% dos contratantes.

Apesar dessas dificuldades, o BC destaca que o programa é positivo e oferece crédito mais acessível, apesar dos problemas operacionais.

“O Crédito do Trabalhador é concedido, em média, com valores mais baixos, prazos mais curtos e juros mais elevados do que o consignado privado anterior, mas oferece aos tomadores um custo mais acessível do que o crédito não consignado sem garantia. A inadimplência na modalidade ainda sofre com desafios operacionais”, diz o BC.

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